Iuane chinês continua em queda, mas não preocupa

Xangai, 10 Ago 2016 (AFP) - Um ano depois da surpreendente desvalorização do iuane que sacudiu os mercados, a moeda chinesa continua perdendo valor, mas sem gerar preocupação nem atrair os especuladores.

No ano passado, a repentina desvalorização pelo Banco Popular da China (PBOC, Banco Central) de aproximadamente 5% em uma semana da taxa básica do iuane sacudiu os mercados financeiros.

A China permite uma margem de flutuação diária de sua divisa de um máximo de 2%, uma maneira de manter o controle de sua moeda.

A decisão reavivou rapidamente a incerteza sobre a situação econômica do gigante asiático e atiçou o fantasma de uma "guerra de divisas", com desvalorizações competitivas.

Pequim se defendeu de ter tentado impulsionar suas exportações, alegando, sem convencer, que se tratava de um novo cálculo a partir dos movimentos do mercado de câmbio.

Desde então, a divisa chinesa não parou de retroceder, até fechar a sessão na quarta-feira a 6,6430 iuanes por um dólar, perto de seu nível mais baixo em seis anos.

"Há vários meses, a norma é uma depreciação gradual do iune que não desestabilize os mercados de câmbio e que não afete a moral dos investidores", observa Wei Yao, analista do banco francês Société Générale.

- Intervenções em massa -Depois da desvalorização de 2015, a pressão sobre o iuane aumento por conta da "desconfiança dos mercados em relação ao PBOC e a suas intenções", acrescentam os analistas do Capital Economics.

"Um ano depois, os investidores parecem um mais relaxados em relação às flutuações do renminbi (o outro nome para iuane), destacam.

O Banco Central tenta desde então melhorar sua comunicação, enviando breves comunicados. O discreto presidente da instituição, Zhou Xiaochuan, veio à público em fevereiro e garantiu que não existia "nenhum fundamento para uma depreciação persistente".

Ao mesmo tempo, o PBOC interveio de forma maciça nos mercados para frear a queda do iuane e limitar as grandes fugas de capitais. No ano passado, o fluxo de capitais que saiu do país chegou a 1 trilhão de dólares, segundo a Bloomberg. O movimento foi impulsionado pelo temor dos inversores diante de uma possível queda no valor de seus ativos.

Há um ano, a instituição utiliza suas abundantes reservas de divisas para adquirir iuanes por um valor de 440 bilhões de dólares, afim de valorizar sua moeda. Pequim também reforçou as restrições para para evitar a saída de capitais.

É uma maneira de frear os especuladores que apostavam numa queda incessante do iuane. "As posições especulativas estão agora limitadas", afirma Wei Yao, acrescentando que "os controles de capitais parecem ter funcionado".

A hemorragia parece estar menor. Embora os bancos chineses tenham vendido mais divisas estrangeiras do que receberam no segundo trimestre, a diferença caiu à metade em relação ao primeiro trimestre.

- Dilema -O PBOC se encontra diante de um dilema.

Por um lado, se orgulha de seus progressos à livre conversibilidade do iuane e de considerar as flutuações do mercado, uma medida que condicionava a entrada do iuane entre as divisas de referência do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Por outro lado, ao querer reforçar o uso internacional do renminbi (nome corrente do iuane), Pequim promete um iuane "estável" em relação às principais divisas.

Assim, o PBOC ajusta da sua maneira a taxa de câmbio central, "exercendo de forma pontual sua vontade de guiar o mercado" e de orientar o iuane, diz o ANZ Bank.

Na verdade, a desvalorização do iuane só beneficia de maneira marginal os exportadores chineses. Prova disso é que as exportações do país despencaram nos últimos meses.

O iuane se vê puxado por "incertezas" da economia internacional, mais que por uma estratégia deliberada do Banco Central, afirma Liao Qun, economista do Citic Bank International.

Entre os elementos causadores de maior volatilidade, Liao cita o aumento dos juros nos Estados Unidos (que reforça a atração do dólar) e o nervosismo criado pelo Brexit (que incita a buscar valores refúgio).

Como resultado de tudo isso, a moeda chinesa deve continuar desvalorizando-se, considera. "Mas até quando?", se pergunta. "Isso dependerá do momento em que o euro e a libra esterlina se recuperarem", afirma.

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