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Relembre os casos de países que caíram na moratória

Paris, 14 Nov 2017 (AFP) - Declarada em default (calote) parcial de sua dívida pela agência de classificação de risco financeira Standard & Poor's, a Venezuela pode vir a se unir a uma longa lista de países que caíram na moratória.

A seguir, os casos de maior destaque.

Grécia, 2015

A Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido a entrar em moratória com o FMI (Fundo Monetário Internacional), à meia-noite de 30 de junho de 2015, ao não cumprir um pagamento de 1,5 bilhão de euros com o organismo.

Duas semanas depois, deu calote em um segundo pagamento, de 456 milhões de euros, também ao FMI.

Um empréstimo de urgência da União Europeia permitiu a Atenas pagar rapidamente o organismo e continuar recebendo ajuda financeira da instituição.

Em agosto de 2015, a Grécia --cuja dívida rondava 180% de seu PIB-- e seus credores alcançaram um acordo para que o país recebesse um terceiro resgate, de 86 bilhões de euros em três anos, afastando o risco de cessação de pagamentos que teria ameaçado a união da zona do euro.

Equador, 2008

Em 12 de dezembro de 2008, o Equador suspendeu o pagamento de quase 40% de sua dívida internacional, que então somava US$ 9,9 bilhões, equivalentes a 19% do PIB do país.

O então presidente, Rafael Correa, economista eleito em 2006, declarou moratória seletiva. Correa considerava que uma parte da dívida era ilegítima, devido às irregularidades durante a negociação, no começo dos anos 2000. Era a terceira vez que o Equador entrava em default da dívida em 14 anos.

Argentina, 2001 

Em 23 de dezembro de 2001, a Argentina declarou a maior moratória da dívida na história: US$ 100 bilhões.

A interrupção de pagamentos aconteceu em meio à maior crise socioeconômica e institucional da Argentina e funcionou como um rastilho de pólvora nos principais centros financeiros internacionais.

O país, que vivia uma recessão há três anos, estava sujeito a um rigoroso regime de austeridade e tinha perdido o controle de sua dívida.

No início de dezembro, temendo o colapso de sua economia, limitou o montante dos saques nos bancos.

A repressão às revoltas deixou cerca de 30 mortos e forçou a renúncia do presidente Fernando de la Rúa.

Após declarar a moratória, nos anos seguintes o governo realizou vários planos de reestruturação e, após as ofertas de 2005 e de 2010, a maior parte dos credores aceitou uma troca da dívida.

Contudo, uma minoria dos credores, chamada de "fundos abutres", foi à Justiça exigir o pagamento integral.

Após a chegada de Mauricio Macri ao poder, no começo de 2016, o país chegou a um acordo com os últimos donos de bônus e pôde voltar aos mercados internacionais depois de 15 anos ausente.

Rússia, 1998

Em agosto de 1998, o governo russo declarou uma moratória de 90 dias sobre sua dívida externa, anunciando uma desvalorização da moeda e da dívida nacional.

A dívida externa atingiu US$ 141 bilhões, de acordo com as estimativas da agência de crédito da Fitch.

O país foi afetado pela crise asiática, e a moeda local, o rublo, caiu com a pressão de especuladores, após a queda dos preços do petróleo, base das exportações russas.

A Rússia levou 12 anos para poder voltar aos mercados internacionais.

México, 1982 

Em agosto de 1982, os mercados financeiros e mil credores receberam um telex, informando que o México não poderia mais honrar sua dívida.

A dívida chegava a 86 bilhões de dólares, e os juros, a US$ 21 bilhões.

Eleito em 1976, o presidente José López Portillo tinha acumulado dívidas e gastado sem levar em conta as receitas do petróleo. O desequilíbrio piorou em 1981 com a queda no preço dessa commodity.

Depois que o país caiu na moratória, os Estados Unidos lhe deram um empréstimo de emergência de bilhões de dólares, e o FMI ofereceu assistência financeira em troca de drásticas reformas estruturais.

O FMI voltou a resgatar o México com uma ajuda de US$ 17,8 bilhões de dólares em 1995, como parte de um pacote internacional total de US$ 50 bilhões.

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