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Argentina sofre para tranquilizar mercados financeiros

15/06/2018 19h22

Buenos Aires, 15 Jun 2018 (AFP) - A Argentina se esforça para acalmar os mercados, que pressionaram uma nova corrida cambial neste semana, que provocou uma depreciação da moeda de quase 10% e a saída de Federico Sturzenegger da presidência do Banco Central, substituído por Luis Caputo.

Na presidência pro tempore do G20, a Argentina recebeu o apoio político das principais economias, especialmente dos Estados Unidos, mas continua enfrentando problemas pela saída de capitais especulativos.

"Estamos trabalhando para normalizar o mercado cambial e suavizar os movimentos que vimos nos últimos dias, mas sempre baseado em um programa de flutuação da moeda", declarou nesta sexta o ministro de Economia, Nicolás Dujovne, em coletiva de imprensa.

Na quinta-feira, depois de a moeda nacional se desvalorizar 6%, cotada a 28,44 pesos por dólar, o presidente Mauricio Macri demitiu Sturzenegger do Banco Central, substituindo-o por Luis Caputo, seu homem de confiança e até então ministro de Finanças.

Mas nesta sexta a moeda continuou em queda e fechou a 28,85 pesos por dólar no mercado oficial, uma queda de 1,42% em relação a quinta-feira e de 9,95% na semana.

Isso mesmo após ser divulgada a carta de intenção da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que acordou um auxílio de 50 bilhões de dólares em três anos, o maior da história do organismo multilateral.

"Há uma saída de investidores (dos países) emergentes, geral e global, que está dada justamente pela política do Fed, que está subindo os juros e afirma que subirá outras duas vezes", destacou a consultoria Invertir online.

"Os mercados emergentes estão encolhendo e cortando todas as ações. O Brasil também está desvalorizando", acrescentou.

Entre 1 de janeiro e quinta-feira o peso argentino perdeu 34,96% de seu valor.

O ápice da desvalorização aconteceu entre abril e maio, levando o governo de Macri a pedir o auxílio ao FMI.

A Argentina perdeu 12 bilhões de dólares de suas reservas internacionais, avaliadas em 49 bilhões, e elevou sua taxa básica de juros a 40%, a mais alta do mundo

"A volatilidade se deve a um problema de confiança. Com a nomeação de Caputo, se recupera a confiança, pois por trás dele há um programa onde aceleramos a convergência para o equilíbrio fiscal e será restabelecido um fluxo muito grande com o empréstimo do FMI", disse Dujovne.

- O programa -A Argentina espera receber a primeira parcela de 15 bilhões de dólares na próxima quarta-feira. O programa com o FMI prevê 50 bilhões a três anos.

Dos 15 bilhões, 7,5 irão ao apoio orçamentário e o resto para fortalecer as reservas do Banco Central, apontou o ministro.

Ele acrescentou que terá início um "processo paulatino, gradual e pré-anunciado" para licitar essas divisas e convertê-las em pesos, o que dará maior liquidez, que "contribuirá para reduzir essas turbulências que vimos no mercado cambial".

Mesmo assim, antecipou que a Argentina emitirá títulos em pesos a longo prazo para recomprar as letras do Banco Central de curto prazo, Lebacs, cujos vencimentos provocaram em maio turbulências no mercado.

"Apesar da mudança de nomes no Banco Central, o programa econômico do presidente Macri continua sendo o mesmo", disse Dujovne, baseado no combate à inflação, na redução do déficit e na reorganização do balanço do Banco Central.

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