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Vencedor do Nobel de Economia, Stiglitz descarta grande crise econômica mundial

Economista Joseph Stiglitz, Nobel de Economia em 2001 - Efe
Economista Joseph Stiglitz, Nobel de Economia em 2001 Imagem: Efe

26/09/2019 15h38

Vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz descarta uma grande crise econômica mundial, mas lamenta que os bancos centrais "desperdicem munições" cedo demais e disse em entrevista à AFP que acha que algumas empresas vão quebrar.

"Baseando-me no que sabemos, eu diria que não vejo crise", diz o economista americano, durante a publicação na França de seu livro "Power, and Profits: Progressive Capitalism for an Age of Discontent" ("Poder e lucros: capitalismo progressivo para uma era de descontentamento").

Embora se diga "preocupado" com a decisão do banco central americano, o Fed, de injetar bilhões de dólares na economia americana, ele garante que por ora há apenas "um freio significativo do crescimento (...) que provocaria quebras", como a da companhia turística britânica Thomas Cook.

"No período de crescimento, a má gestão de uma empresa não tem, necessariamente, consequências, mas quando a economia desacelera, ela quebra", afirmou Stiglitz, que espera que outras empresas passem pelo mesmo, mas sem provocar uma crise econômica mundial como a de 2008.

"É verdade que esta situação deixa as pessoas nervosas, mas são necessárias mais perturbações para haver uma crise mundial", garante, sem descartar que "alguns países emergentes entrem em crise", como a Argentina.

"Mas não acho que seja o caso da Europa ou dos Estados Unidos", opina.

Stigliz diz estar desconsertado com a decisão do Fed de reduzir suas taxas de juros e com a do Banco Central Europeu (BCE) de retomar seu programa de compra de dívidas.

O economista teme que essas medidas para favorecer o crescimento sejam ineficazes. "Acho que os bancos centrais estão claramente desperdiçando munições que seriam úteis se a situação piorar", lamenta.

"Essas medidas terão muito pouco efeito", alerta, lembrando que "até o Fed reconhecer que, essencialmente, não tinha nenhuma medida para enfrentar a guerra comercial que desestimula as pessoas de investirem", referindo-se ao confronto tarifário entre China e Estados Unidos.

Um problema chamado Trump

Stiglitz disse à AFP que existem problemas nas três maiores economias do mundo - China, zona do euro e Estados Unidos.

"A China vive um mau momento, ao passar de um crescimento baseado na exportação de produtos industrializados para outro, baseado no consumo interno.

Na zona do euro, o economia se une aos diversos apelos para que a Alemanha, à beira da recessão técnica, invista mais para estimular um crescimento "que ajudaria a Europa".

Nos Estados Unidos, o "problema", segundo Stiglitz, não é a guerra comercial, mas "o presidente Trump". "Ele gerou um nível tamanho de incerteza e caos que amputou dos Estados Unidos parte de seu crescimento", indica.

"Essas três situações provocam a desaceleração econômica, e a guerra comercial só piora a situação", aponta Stiglitz, que pede, em seu livro, um "capitalismo progressista" e a volta a um Estado que regule os mercados.

Ele também se declara favorável a desmantelar os gigantes digitais. "Não havia nenhum motivo para autorizar o Facebook a comprar o Instagram ou o WhatsApp", afirma.

O economista também elogia a decisão do governo francês de criar um tributo para as grandes companhias digitais sobre seu faturamento. "Tenho só uma crítica a Emmanuel Macron: seu imposto de 3% não é alto o bastante", garante.