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Block Friday: os anti-Black Friday lançam sua ofensiva

Ativistas protestam contra a Black Friday em um shopping em Paris - Noemie Olive/Reuters
Ativistas protestam contra a Black Friday em um shopping em Paris Imagem: Noemie Olive/Reuters

29/11/2019 12h02

Greve na Alemanha, corrente humana na Holanda, bloqueio dos armazéns da Amazon na França: as iniciativas anti-Black Friday se multiplicaram nesta sexta-feira para denunciar o excesso do consumo e suas consequências climáticas, no início de uma nova série de manifestações globais contra o aquecimento.

"Hoje, a Amazon emite gases de efeito estufa como um Estado", denunciou Jean-François Julliard, diretor do Greenpeace França, participando de uma manifestação com várias dezenas de outros ativistas em frente à sede da companhia em Clichy, perto de Paris.

Convocados pela Attac e Greenpeace para esta ação apresentada como "não violenta e alegre", os manifestantes exibiram faixas hostis ao gigante do comércio on-line antes de se sentarem em frente à sede da empresa, gritando: "Dizemos stop à Black Friday e sua impunidade!".

"Precisamos mais do que nunca de ações de desobediência civil, porque a Amazon é um símbolo da impunidade", incluindo fiscal, estimou a eurodeputada Manon Aubry (LFI, esquerda radical), presente no evento.

Na Alemanha, centenas de funcionários da Amazon, segundo o sindicato, aproveitaram esta Black Friday para chamar a atenção para as condições de trabalho.

"O trabalho deles não pode ser remunerado por quantias ridículas", denunciou em comunicado o sindicato Verdi, que convocou uma greve até terça-feira.

O sindicato, que pede um acordo coletivo para garantir "salários decentes, qualidade e empregos saudáveis", acusa a Amazon de "privar seus funcionários de direitos fundamentais" e de fazê-los trabalhar "sob extrema pressão". "Como resultado, muitos adoecem", alertou o sindicato.

A Amazon minimizou o impacto da greve, garantindo que os pedidos serão entregues "no prazo".

"Block Friday"

"A Amazon destrói empregos e o clima", "Block Friday", podia ser lido nos cartazes dos cerca de quarenta ativistas em frente à empresa em Flers-en-Escrebieux, no norte da França, cuja a entrada era protegida por cerca de 20 policiais.

Várias outras ações desse tipo ocorriam na França: perto de Lyon (centro-leste), cem ativistas bloquearam brevemente dois acessos de um armazém da Amazon.

Já na quinta-feira, várias dezenas de ativistas de movimentos ambientais bloquearam brevemente o centro de distribuição da Amazon Brétigny-sur-Orge, não muito longe de Paris.

No Reino Unido, onde os distribuidores apostam na Black Friday para tentar aplacar os temores dos consumidores sobre as incertezas do Brexit, um grupo de artistas de Bradford, na região de North Yorkshire, convocou as pessoas para um "Buy Nowt Friday", em um jogo de palavras entre "Now" (agora) e "not" (não), sequestrando o slogan publicitário "Buy Now" (compre agora) da Black Friday.

Os estudantes da associação "Students for Climate" planejavam formar uma cadeia humana em Maastricht para protestar contra o consumo excessivo.

Essas ações coincidem com o lançamento nesta sexta-feira na Ásia-Pacífico de uma nova série de eventos globais contra o aquecimento global.

Em Tóquio, centenas de pessoas marcharam no distrito comercial de Shinjuku.

"Sinto-me em crise porque quase ninguém no Japão está interessado nas mudanças climáticas", lamentou Mio Ishida, estudante de 19 anos.

Consumidores vão às lojas para aproveitar a Black Friday

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