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EUA sanciona filial de petroleira russa Rosneft Trading por comércio com a Venezuela

18/02/2020 17h04

Washington, 18 Fev 2020 (AFP) - Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (18) que sancionarão a empresa subsidiária da petroleira russa Rosneft Trading por sua decisão de exportar petróleo para a Venezuela, ignorando as sanções de Washington ao governo venezuelano.

"Rosneft Trading S.A. e o seu presidente negociaram a venda e o transporte de petróleo venezuelano", disse em comunicado o secretário do Tesouro americano, Steven T. Mnuchin.

"Rosneft Trading (...) proporcionou a maior parte dos recursos financeiros do regime de Maduro", disse um alto funcionário do governo americano que preferiu não se identificar, acrescentando que essas sanções "deveriam ter um impacto significativo".

Ainda segundo a fonte, "uma enorme quantidade de petróleo do governo de Maduro que ignorou as sanções foi negociada por meio da Rosneft Trading no mundo".

O governo dos Estados Unidos também sancionou Didier Casimiro, presidente da junta diretiva da empresa, que identificou como um elemento "chave para a orientar o setor petroleiro venezuelano".

O funcionário indicou que no último mês a empresa sancionada facilitou o envio de 2 milhões de barris para a África Ocidental.

O líder da oposição Juan Guaidó comemorou como uma "vitória" as sanções anunciadas nesta terça-feira pelos Estados Unidos contra uma filial da estatal russa Rosneft por negociar petróleo da Venezuela, permitindo que o governo de Nicolás Maduro contorne o embargo de Washington.

"A companhia petrolífera russa Rosneft Trading S.A. foi sancionada por ser cúmplice da ditadura. Esta notícia é uma vitória!", tuitou Guaidó, chefe parlamentar reconhecido por cinquenta países - liderados pelos Estados Unidos - como presidente encarregado da Venezuela.

"Quem apoia ditador, quem quer que seja, de onde ele vem, deve arcar com as consequências", acrescentou o líder, publicando a declaração do Departamento do Tesouro sobre as medidas contra a subsidiária.

A diplomacia russa, por sua vez, denunciou uma nova tentativa de Washington de "submeter o mundo inteiro à sua vontade" e indicou "um desejo banal de criar vantagens para as empresas americanas que não resistem à concorrência justa dos fabricantes russos nos mercados".

"A política destrutiva das sanções americanas está cada vez mais minando a liberdade comercial global - que os americanos alegam defender - e alimenta tensões internacionais", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em comunicado.

Elliott Abrams, responsável pela Venezuela no Departamento de Estado, disse que não acredita que esta ação afetará o preço do petróleo para os consumidores.

Os EUA não reconhecem o governo de Maduro e considera o opositor Juan Guaidó como presidente interino, que há duas semanas visitou Donald Trump na Casa Branca.

"As ações de hoje são uma demonstração do compromisso do presidente para garantir que haja uma transição democrática na Venezuela", disse o funcionário.

Desde a chegada de Maduro ao poder, em 2013, a Venezuela vive um colapso econômico aguçado, que provocou a saída de 4,7 milhões de pessoas do país, segundo a ONU.

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