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Arábia Saudita aumentará exportações de petróleo em plena guerra de preços

30/03/2020 16h38

Riade, 30 Mar 2020 (AFP) - A Arábia Saudita anunciou nesta segunda-feira que aumentará suas exportações de petróleo para um volume recorde de 10,6 milhões de barris por dia (mbd) a partir de maio, em meio a sua batalha com a Rússia pelo controle do mercado, apesar das críticas.

O preço do barril continuou em queda, paralelamente, afetado pela falta de acordo entre Riade e Moscou e, acima de tudo, pela pandemia do Covid-19, que fez com que a demanda por petróleo caísse.

"O reino planeja aumentar suas exportações de petróleo em 600.000 bd a partir de maio, para que as exportações aumentem para 10,6 mbd", disse um funcionário do Ministério da Energia, citado pela agência estatal SPA.

No início de março, a Arábia Saudita anunciou um aumento de suas exportações para 10 mbd até abril, após o fracasso das negociações sobre uma extensão do corte de produção entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia, na tentativa de suportar os preços.

O reino exportou anteriormente cerca de 7 mbd sob um acordo alcançado pelo cartel e seus parceiros, com Moscou à frente.

- Manter o nível -Após negociações fracassadas, a Arábia Saudita baixou acentuadamente os preços e anunciou que aumentaria sua produção para abril a 12,3 mbd. Os Emirados Árabes Unidos seguiram seus passos e se comprometeram a produzir pelo menos um milhão a mais de barris por dia a partir de abril.

Segundo Amin Nasser, CEO da gigante petrolífera Saudi Aramco, sua empresa pode manter sua produção nesse nível por pelo menos 12 meses, sem a necessidade de construir novas instalações.

Riade precisa de petróleo a um preço forte para equilibrar seu orçamento, pois sua economia é altamente dependente do produto.

Assim, os preços do petróleo caíram na segunda-feira, após o recuo nos mercados financeiros diante da crise relacionada à pandemia de Covid-19.

O preço do barril do WTI, referência nos Estados Unidos, caiu para cerca de US$ 20, enquanto o do Brent no Mar do Norte foi inferior a US$ 23, níveis nunca vistos desde o início dos anos 2000.

Segundo analistas, as últimas decisões de Riade fazem parte de uma estratégia para conquistar, a longo prazo, uma maior parte do mercado contra seus rivais, que não podem arcar com altos custos de produção, especialmente os produtores de petróleo de xisto dos EUA.

Dessa maneira, os sauditas ignoraram o apelo do secretário de Estado americano Mike Pompeo ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para "tranquilizar os mercados financeiro e de energia" diante da emergente crise global.

Nesse contexto, a Rússia e os Estados Unidos - um importante aliado da Arábia Saudita - concordaram na segunda-feira que seus ministros da energia discutam o assunto.

Teoricamente, a Arábia Saudita "pode ser a última a permanecer, considerando suas reservas financeiras e sua capacidade de tomar empréstimos, se necessário", segundo analistas da JBC Energy.

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