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Tesouro dos EUA indica "risco de danos permanentes" se economia continuar paralisada

19/05/2020 15h59

Washington, 19 Mai 2020 (AFP) - O secretário do Tesouro Steven Mnuchin disse nesta terça-feira em uma audiência no Senado que a economia dos EUA enfrenta "risco de danos permanentes" caso se estenda o fechamento dos negócios pelo coronavírus.

Durante a audiência virtual perante a Comissão Bancária do Senado, as duas principais autoridades econômicas do país, Mnuchin e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, responderam aos legisladores sobre a implementação dos esforços bilionários de ajuda humanitária para enfrentar a crise.

"Sem uma reabertura, existe o risco de danos permanentes", alertou, projetando que indicadores como desemprego continuarão negativos no segundo trimestre deste ano.

"Tomamos medidas sem precedentes ao ter que fechar partes muito importantes da economia", afirmou o secretário.

Munuchin adotou um tom mais sombrio do que o governo costuma usar em um ano eleitoral, no qual o presidente Donald Trump buscará a reeleição nas eleições de novembro.

"É importante começar a levar as pessoas ao trabalho com segurança", disse ele após o desemprego ter passado de 3,5% em fevereiro para 14,7% em abril.

Mnuchin alertou que os números de empregos continuarão se deteriorando antes que uma melhoria seja vista.

Um forte debate entre os dois principais partidos - republicano e democrata - ficou evidente em como lidar com a pandemia.

A oposição defende manter o fechamento de negócios para evitar contágio, e os republicanos, com o presidente à frente, defendem a volta ao trabalho em ritmo normal.

"Quantos trabalhadores precisam dar a vida para aumentar o PIB em meio ponto?", questionou o senador democrata Sherrod Brown.

Mnuchin se defendeu afirmando que "nenhum trabalhador deveria dar sua vida por isso" e reclamou que essa referência era "injusta".

Trump pressiona vários estados, especialmente os governados pelos democratas, a relaxarem as restrições impostas a conter o coronavírus, que deixou mais de 90.000 mortos nos Estados Unidos, o país com mais mortes na epidemia no mundo.

Mnuchin disse que o governo está trabalhando com os governadores e que ele espera que a situação melhore no terceiro e quarto trimestres.

A audiência, que também inclui o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, tem como objetivo revisar a implementação de um pacote de ajuda de US$ 2 trilhões aprovado pelo Congresso para lidar com a crise.

Os democratas, que dominam a Câmara Baixa, aprovaram um novo plano de estímulo de US$ 3 trilhões, mas os republicanos que controlam o Senado dizem que seria sensato esperar que o pacote anterior entre em vigor antes de dar mais ajuda.

- "Sob pressão" -Enquanto isso, o presidente do Federal Reserve apresentou sua visão da crise, em um ambiente menos tenso, no qual alertou que mais ações podem ser necessárias para apoiar a economia, dependendo de como o retorno à atividade plena se desenvolva.

Sob seu mandato, o Fed praticamente reduziu suas taxas para zero, lançou um programa ilimitado de compra de títulos e estendeu seu programa de empréstimos para incluir também PMEs (pequenas e médias empresas), que foram bastante afetadas pelas medidas de contenção.

Em seus discursos, Powell enfatizou que esse choque na economia é diferente de outras recessões, como a Grande Depressão de um século atrás, ou a crise das hipotecas que abalou a economia americana na última década.

Ele admitiu que o setor imobiliário está sendo afetado. "Estamos vendo que o setor imobiliário está sob grande pressão", afirmou.

O novo pacote de ajuda que os democratas tentam promover inclui um item para ajudar as famílias a lidar com os pagamentos de aluguel e hipoteca, em um momento em que 46% dos desempregados não têm US$ 400 para enfrentar uma emergência, de acordo com os números do Fed.

an/mr/cc

Economia