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Copom prepara nova alta da Selic com inflação na mira

Copom prepara nova alta da Selic com inflação na mira - Getty Images/iStockphoto
Copom prepara nova alta da Selic com inflação na mira Imagem: Getty Images/iStockphoto

21/09/2021 12h59Atualizada em 21/09/2021 17h16

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central prepara novo aumento da taxa básica de juros, Selic, em um ponto percentual, a 6,25%, na quarta-feira para tentar conter a crescente inflação, segundo avaliação de analistas e instituições financeiras.

Esta será a quinta vez consecutiva que o Copom vai elevar a Selic, em 5,25% desde a última reunião, em agosto, quando a elevou em um ponto percentual depois de várias altas menores.

A decisão, que será informada após uma nova reunião do comitê, já tinha sido antecipada naquela ocasião, ao prever "outro ajuste da mesma magnitude" para a reunião desta semana.

O Copom vai confirmar esta previsão, segundo avaliação de uma centena de consultorias e instituições financeiras, publicada pelo jornal Valor Econômico.

O comitê tem como objetivo conter a inflação para limitá-la o máximo possível na meta estabelecida para este ano pelo Banco Central, com um teto de 5,25%. Mas o aumento dos preços já acumulou 5,67% entre janeiro e agosto e subiu a 9,68% em 12 meses.

As estimativas do mercado tinham disparado, no entanto, diante das altas generalizadas dos preços, em contraste com o que a princípio acreditou-se ser a consequência de aumentos específicos. Muitos analistas destacaram a necessidade de acelerar a elevação das taxas.

"Se a gente olhar para os números da inflação e as projeções da inflação, entre a última reunião do Copom e esta da última semana, a expectativa era de uma intensificação do aperto monetário, uma alta mais elevada (das taxas)", diz Mauro Schneider, economista da MCM Consultores.

O último boletim Focus, divulgado pelo BC, que compila estas estimativas, situou em 8,35% a inflação até o fim do ano.

Mas o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, freou estas expectativas, ao assegurar que o "plano de voo" do BC tem um horizonte de mais longo prazo. E por isso, "não tem necessidade de reagir a dados de alta frequência", como o indicador mensal da inflação.

No começo deste ano, as previsões para a Selic beiravam os 3% até dezembro; agora, a média é de 8,25%, segundo o boletim Focus.

Crescimento, "em risco"

O BC iniciou sua escalada em março, depois de manter a Selic em mínimos históricos para tentar impulsionar a economia, deprimida pela pandemia.

Jason Vieira, economista-chefe da gestora Infinity Asset, também vê uma moderação do BC a respeito das expectativas, uma mudança de postura "chave" em um momento em que a ferramenta estaria perdendo efetividade, diz.

"As taxas atuais de inflação não são controláveis por esta mesma política monetária" de ajustes, destaca. E adverte que o Banco Central deve atender a outras variáveis como a taxa de câmbio, que aumenta os custos dos insumos e bens importados e impacta os preços.

Alguns como Vieira temem que o aumento das taxas freie a recuperação econômica e afete o crescimento, sobretudo no ano que vem por seu impacto diferido.

"O Banco Central agora tem que começar a mostrar um pouco mais de parcimônia", caso contrário, "corre o risco de provocar um efeito macroeconômico a ponto de gerar uma contração econômica", diz.

Segundo Schneider, o BC poder se desprender do ritmo do indicador da inflação depende do ritmo dos preços no futuro. "Se a gente continuar tendo uma inflação mais disseminada, esse freio nos ânimos vai ter vida curta", afirmou.

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