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Por que o preço do petróleo voltou ao valor mais alto em 3 anos

26/04/2018 15h29

O barril de petróleo chegou a US$ 75 esta semana, o equivalente a R$ 261 e o maior preço em quase três anos e meio.

A mais recente alta vem com a crescente preocupação nos mercados sobre a eventual imposição de sanções econômicas ao Irã por parte dos Estados Unidos.

O preço de US$ 75 confirma uma tendência de alta que pode continuar, segundo diferentes análises.

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O prazo para a renovação do acordo nuclear entre o Irã e seis potências vence em 12 de maio, e se Washington decidir se retirar do acordo, pode haver uma restrição na oferta de petróleo e os preços subirem ainda mais.

O papel do Irã é fundamental na oferta mundial de petróleo porque o país é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Os avisos de Trump

O preço do "ouro negro" tem subido, na realidade, desde que no ano passado os 14 países que fazem parte da Opep - além de outros produtores como a Rússia - decidiram restringir a produção, um acordo que se estenderia até o final deste ano.

Analistas e agentes que negociam no mercado, como a Tamas Varga, corretora da empresa PVM, acreditam, no entanto, que a suposição de que Donald Trump se retirará do acordo nuclear é a principal razão por trás do aumento mais recente no preço.

"Todas as apostas indicam que os Estados Unidos não permanecerão no acordo", diz Varga.

Trump disse que se seus aliados europeus não consertarem o que ele chama de "falhas graves" do acordo nos próximos dias, ele voltará a impor sanções ao Irã.

As outras potências signatárias do acordo com o Irã - Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China - querem mantê-lo por considerarem que ele conseguiu interromper o avanço do programa nuclear iraniano.

Stephen Innes, corretor que negocia petróleo na empresa Oanda, acredita que a imposição de sanções elevaria o preço para muito além de US$ 75 o barril.

Os riscos de uma escalada

Uma escalada de preços do petróleo pode afetar o crescimento da economia global, alertaram os analistas.

Um dos efeitos mais diretos que um aumento pode ter é fazer a inflação disparar, forçando os bancos centrais a aumentar as taxas de juros mais rápido do que tinham previsto.

Esse cenário significaria uma desaceleração no investimento das empresas, no gasto das pessoas e no mercado de ações.

Entidades como o JP Morgan e o Barclays aumentaram suas projeções de alta para o valor do petróleo bruto, enquanto o Morgan Stanley manifestou preocupação pelas eventuais pressões inflacionárias.

Embora a redução da produção da Opep tenha diminuído as reservas petrolíferas, os Estados Unidos compensaram parcialmente essa baixa com um aumento em sua produção, ainda que não em escala suficiente para manter o valor do hidrocarboneto.

Por outro lado, a demanda na Ásia - a região do mundo que mais consome petróleo bruto - chegou a níveis recordes, levando à abertura de refinarias na China e no Vietnã.

E são os EUA que detém praticamente nas mãos o futuro do acordo nuclear, e, assim, do preço do petróleo e do futuro da economia.

Basta cavar para achar petróleo?

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