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Mutuários do mundo inteiro devoram bonds baratos em euros e transformam mercado

Sally Bakewell

29/07/2015 09h16

(Bloomberg) - Nunca tantas empresas internacionais tomaram emprestado tanto dinheiro durante tanto tempo na Europa, e pode ser que o mercado de bonds do continente jamais volte a ser o mesmo.

A região, que até recentemente atendia principalmente mutuários domésticos, se converteu em um alvo de primeira classe para companhias estrangeiras que tentam arrecadar fundos neste ano, com o recorde de 157 bilhões de euros (US$ 174 bilhões) em bonds. Agora, bancos e investidores estão dedicando mais recursos a satisfazer a demanda.

Hoje, a Europa atrai empresas de reconhecimento mundial como a Time Warner Inc. e outras quase desconhecidas na região, e vindas de países tão distantes como a China e o Brasil. Elas são atraídas pelos custos de crédito suprimidos pelo programa de estímulo sem precedente de 1,1 trilhão de euros do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

"O mercado de euros desenvolveu profundidade e maturidade", disse Peter Schikaneder, diretor de geração de empréstimos para corporações internacionais do Commerzbank AG em Londres. "Certas coisas são realizáveis no mercado, coisas que não esperávamos que fossem viáveis no passado".

Emissores americanos vêm liderando a investida internacional, com 78 bilhões de euros vendidos, montante que já eclipsa os 69 bilhões de euros vendidos pelas companhias americanas em todo o ano de 2014. Eles também foram fundamentais para a ampliação dos vencimentos, garantindo a globalização do mercado durante anos antes da implementação das medidas do BCE, que finalizarão no ano que vem.

Vencimentos prolongados

A Berkshire Hathaway Inc. e a Mondelez International Inc., a fabricante dos biscoitos Oreo, foram algumas das empresas que arrecadaram o recorde de 52 bilhões de euros em bonds com vencimento em 2025 ou posterior a esse prazo, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Para ajudar a satisfazer a avalanche, o Bank of America engrossou suas equipes de serviços bancários corporativos e mercados de capitais de dívidas a partir de maio. O Commerzbank transferiu um funcionário de Hong Kong para Nova York no mesmo mês e contratou um banqueiro de empréstimos sindicalizados em Nova York no ano passado, disse Schikaneder.

Os investidores também estão se adaptando a mudanças no mercado. A Union Investment expandiu sua equipe de bonds corporativos com duas contratações e a TwentyFour Asset Management está planejando criar duas novas posições, segundo Chris Bowie, gerente de carteira da empresa com sede em Londres.

Mohawk, BHP Billiton

As empresas que fazem empréstimos nos EUA com frequência, como a Coca-Cola Co. e a Eli Lilly Co., foram atraídas para a Europa por custos de crédito que caíram para o recorde de 0,85 por cento em março e continuam a meio ponto porcentual do valor mais baixo, mostram índices do Bank of America Merrill Lynch. A vantagem relativa dos empréstimos em euros provavelmente aumente, disse o credor em um relatório publicado em 23 de julho.

Isso poderia ampliar ainda mais o mercado depois que investidores de menor tamanho como a Mohawk Industries Inc., uma fabricante de pisos do estado americano de Geórgia, se uniram a empresas de países tão distantes quanto a China, tais como a Beijing Enterprises Holdings Ltd., no grupo dos que realizaram suas primeiras vendas em euros. A BHP Billiton Ltd. da Austrália e a Votorantim Cimentos SA do Brasil figuraram entre os mutuários internacionais que retornaram ao mercado.

"O mercado em euros tem conquistado relevância mundial nos últimos seis meses", disse Vis Raghavan, diretor de serviços bancários e vice-CEO da divisão de serviços bancários corporativos e investimentos do JPMorgan Chase Co. "O mercado mostrou às empresas que é capaz de obter grandes montantes em euros e que o mercado americano nem sempre tem que ser o foco para as corporações que procuram financiamento considerável".

Título em inglês: 'Global Borrowers Gorging on Cheap Euro Bonds Transform Market'

Para entrar em contato com a repórter: Sally Bakewell, em Londres, sbakewell1@bloomberg.net

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