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Argentina prepara novo índice de inflação e investidores ganham

Carolina Millan

(Bloomberg) -- A tentativa do presidente Mauricio Macri de restaurar a confiança nos dados econômicos da Argentina está produzindo um ganho inesperado para os investidores em bonds.

Títulos de dívida indexadas à inflação do país subiram 17 por cento desde 25 de outubro, quando o resultado surpreendente de Macri no primeiro turno das eleições presidenciais definiu o cenário para a sua vitória um mês depois. Esse é o maior ganho entre os bonds semelhantes da América Latina acompanhados pelo Barclays. E o crescimento está longe do fim, diz a Balanz Capital.

Macri, que assumiu em 10 de dezembro, está reformulando a agência nacional de estatísticas da Argentina, após anos de acusações de publicação de dados incorretos. Na semana passada, o governo disse que vai usar um índice de inflação da cidade de Buenos Aires, que está em 26,9 por cento e é quase o dobro da taxa nacional divulgada pelo governo anterior, para calcular os pagamentos de bonds. Os preços ao consumidor na cidade também estão prestes a subir rapidamente já que Macri vai eliminar subsídios de energia elétrica de consumidores que podem pagar taxas mais elevadas.

"A cidade de Buenos Aires tem a maior inflação do país e será a mais afetada pelo aumento dos preços de serviços públicos", disse Martin Saud, trader de renda fixa na Balanz.

Ele recomenda a compra de bonds indexados à inflação da Argentina com vencimento em 2018.

Macri declarou uma "emergência estatística" em seu primeiro mês de governo para reconstruir a agência de dados e substituir um índice de preços ao consumidor criado em 2014 pelo governo da então presidente Cristina Kirchner. Em 2013, a Argentina se tornou o primeiro país censurado pelo Fundo Monetário Internacional por dados econômicos não confiáveis.

Investidores e analistas têm questionado os dados oficiais de inflação e o crescimento econômico da Argentina desde 2007, quando o falecido marido de Cristina e seu antecessor, Néstor Kirchner, substituiu funcionários da agência de estatísticas.

Novo índice de inflação

O governo de Macri parou de divulgar dados enquanto reconstrói a agência. Graciela Bevacqua, diretora do instituto nacional de estatísticas que estava entre os funcionários substituídos por Kirchner em 2007, disse em 14 de janeiro que um novo índice de inflação nacional pode estar pronto só em setembro. O governo vai parar de usar o indicador de inflação de Buenos Aires para calcular os pagamentos de bonds quando o novo índice nacional estiver disponível.

"Por um longo tempo, não estávamos recomendando obrigações indexadas à inflação, mas agora achamos que eles vão conseguir o objetivo de fornecer cobertura contra a inflação", disse Jacqueline Maubre, diretora de investimentos do Cohen Group em Buenos Aires, em uma entrevista.

A tentativa de Macri de reconstruir a confiança nos dados econômicos do país é parte de seu esforço para desfazer as políticas colocadas em prática por seus antecessores que estrangularam investimentos estrangeiros e mantiveram o país fora dos mercados de crédito internacionais desde 2001.

As autoridades responsáveis pela economia da Argentina, lideradas pelo presidente do Banco Central, Federico Sturzenegger, se comprometeram a colocar a luta contra o aumento dos preços ao consumidor como sua tarefa principal. O ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay, disse que espera que a inflação fique perto de 5 por cento no quarto ano do governo de Macri.

Em 30 de dezembro, o ministro de Energia, Juan José Aranguren, disse que as novas tarifas de energia elétrica serão definidas a partir de fevereiro para eliminar subsídios na grande Buenos Aires.

Alguns moradores da capital argentina pagam apenas 45 pesos (US$ 3,35) a cada dois meses nas contas de energia elétrica por causa dos subsídios.

Essa mudança pode fazer com que a inflação suba, de acordo com Mariano Tavelli, presidente da corretora Tavelli & Co.

"Se a inflação disparar quando os preços dos serviços forem ajustados, os bonds indexados à inflação terão um rali", disse ele.

Título em inglês: Argentina Inflation Unbelievable No More Stokes Surge in Linkers

Para entrar em contato com o repórter: Carolina Millan em Buenos Aires, cmillanronch@bloomberg.net Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto, tmarotto1@bloomberg.net Patricia Xavier

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