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Commodities se descolam de dados da China e petróleo se recupera

Mark Shenk e Grant Smith

(Bloomberg) -- O petróleo Brent subiu em relação ao nível mais baixo de fechamento em 12 anos em Londres com os preços de commodities se distanciando dos dados econômicos chineses mais fracos que o esperado.

Os contratos futuros subiram até 5,9 por cento em Londres. Apesar dos números oficiais terem mostrado que o crescimento chinês desacelerou no fim do ano passado, os dados não foram tão negativos quanto alguns investidores haviam previsto e deixaram a porta aberta para que as autoridades façam mais para ajudar o país na transição para uma expansão orientada pelo consumo.

"Havia a preocupação de que os dados chineses seriam pior e nesses dias isso conta como uma boa notícia", disse John Kilduff, sócio da Again Capital, fundo de hedge baseado em Nova York focado em energia. "Não há boas notícias nos números. Eles provavelmente vão estimular tanto o banco central como os planejadores principais a promover mais estímulo."

O petróleo caiu cerca de 21 por cento neste ano em meio à volatilidade dos mercados chineses e à especulação de que o aumento nas exportações do Irã após a eliminação das restrições às vendas de petróleo bruto do país prolongarão o excedente global de oferta. O mercado internacional poderia "se afogar no excesso de oferta", derrubando ainda mais os preços em meio à desaceleração do crescimento da demanda, disse a Agência Internacional de Energia na terça-feira.

Excesso de oferta

O Brent para liquidação em março subiu 80 centavos para US$ 29,35 o barril, na bolsa ICE Futures Europe, em Londres, às 9:22 de Nova York. O contrato caiu 39 centavos na segunda-feira, para US$ 28,55, preço de fechamento mais baixo desde dezembro de 2003. O volume total negociado foi mais que o dobro da média de 100 dias.

O WTI para entrega em fevereiro, que expira na quarta- feira, caiu 6 centavos para US$ 29,36 o barril, na New York Mercantile Exchange. As transações de segunda-feira serão computadas com as de terça-feira por causa do feriado de Martin Luther King Jr. O contrato fechou em US$ 29,42 o barril em 15 de janeiro, liquidação mais baixa desde novembro de 2003. O contrato futuro mais ativo de março subiu 9 centavos, para US$ 30,48. O WTI para março era negociado com um prêmio de US$ 1,13 em relação ao Brent para o mesmo mês.

No último trimestre, o PIB da China cresceu ao ritmo mais lento desde 2009, enquanto a produção industrial, as vendas do varejo e os investimentos em ativos fixos perderam força, segundo dados divulgados na terça-feira.

Perspectiva da AIE

A AIE reduziu as estimativas para a demanda global de petróleo em 2016 devido ao enfraquecimento da expansão econômica da China e elevou as projeções para a produção de fora da Opep. Enquanto a previsão é de que a oferta de fora da Opep cairá em 600.000 barris por dia em 2016, o retorno do Irã poderia ocupar esse espaço até a metade do ano. Como resultado, os mercados internacionais poderão ficar com um excesso de oferta de 1,5 milhão de barris por dia no primeiro semestre.

O FMI reduziu sua perspectiva para o crescimento mundial em 2016 de 3,6 por cento para 3,4 por cento devido à queda das commodities, o impasse político que está empurrando ainda mais o Brasil para a recessão, a queda dos preços do petróleo em prejuízo aos produtores do Oriente Médio e a valorização do dólar reduzindo as perspectivas para os EUA.

O ministério do petróleo do Irã deu instruções para aumentar a produção em 500.000 barris por dia depois que as sanções internacionais foram levantadas, disse a agência de notícias do país, Shana. Os países vizinhos bombearão uma quantidade maior dentro de seis a 12 meses e vão tirar participação de mercado iraniana se o país não aumentar sua produção, disse Roknoddin Javadi, diretor da estatal National Iranian Oil, segundo a Shana.

"A situação do Irã foi mais do que precificada no mercado", disse Kilduff. "Existem dúvidas sobre a capacidade do Irã de aumentar a produção tão rapidamente quanto eles afirmam que eles podem."

Título em inglês: Brent Gains From 12-Year Low as Commodities Shrug Off China Data

Para entrar em contato com os repórteres: Mark Shenk em Nova York, mshenk1@bloomberg.net; Grant Smith em Londres, gsmith52@bloomberg.net Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto, tmarotto1@bloomberg.net Patricia Xavier

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