Banco Mundial: Minério de ferro será metal de pior desempenho

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- Os preços do minério de ferro provavelmente registrarão o maior prejuízo entre os metais neste ano em um momento em que a oferta de baixo custo continua superando o consumo, segundo o Banco Mundial, que reduziu suas projeções até 2020.

A demanda está se aproximando de seu pico e os preços serão de, em média, US$ 42 por tonelada em 2016, uma queda de 25% em relação aos US$ 55,80 do ano passado, informou o banco com sede em Washington em sua perspectiva trimestral.

Em comparação, o níquel poderá cair 16% e o cobre, 9%, segundo a instituição. Em outubro, o banco havia projetado o minério de ferro a US$ 59,50 em 2016.

O minério de ferro entrou em colapso e vale menos de um quarto de seu pico de 2011 porque a desaceleração da China restringe a demanda do país que é o maior usuário, causando um excesso.

O mercado global deverá ver um salto maior na oferta porque as maiores mineradoras, incluindo a brasileira Vale e as australianas Rio Tinto Group e BHP Billiton, estão aumentando a produção para expandir sua participação de mercado.

"A demanda marítima pelo minério de ferro pode estar chegando ao pico devido à transição da economia da China para um uso menor do metal", disse o banco no relatório, na terça-feira.

"Novas capacidades de minério de ferro de baixo custo continuam entrando em operação na Austrália e no Brasil e estão forçando fechamentos de minas de custo mais elevado na China e em outras partes".

Queda das mineradoras

O minério com 62% de conteúdo entregue em Qingdao perdeu 1,2% na terça-feira, ficando em US$ 41,08 por tonelada, após atingir um piso de US$ 38,30 em 11 de dezembro, um recorde nos preços diários da Metal Bulletin de maio de 2009 para cá.

As ações das mineradoras registraram prejuízo nesta quarta-feira: a Rio caiu 2,7% em Sidney, enquanto a BHP teve um declínio de 1,8%.

O Banco Mundial reduziu a estimativa para 2017 em 28%, para US$ 44,10 a tonelada, e projetou que os preços continuarão abaixo de US$ 50 até 2019 e subirão para US$ 51 no fim da década.

Entre os riscos às projeções estão uma maior desaceleração econômica na China e a oferta extra gerada pelos custos de produção mais baratos e pelo enfraquecimento das moedas dos países produtores.

"Os maiores fornecedores continuam aumentando a produção, enquanto a demanda da China por minério de ferro está se contraindo", disse Helen Lau, analista da Argonaut Securities (Asia) em Hong Kong, acrescentando que as projeções do banco de que o minério permanecerá abaixo de US$ 50 estão em linha com suas estimativas.

"Os fechamentos de minas são mais do que compensados pelas novas adições dos fornecedores globais".

 

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