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Para Opep, caminho para corte de produção não é claro

Grant Smith

(Bloomberg) -- A Arábia Saudita disse que seu acordo com a Rússia para limitar a produção de petróleo era "o início de um processo", mas o caminho entre o congelamento e os cortes de produção necessários para eliminar o excesso global é pouco claro.

Quando o ministro do Petróleo saudita, Ali al-Naimi, sugeriu que o acordo de Doha foi um prelúdio para "outras medidas", ele alimentou as esperanças de que a resistência do reino aos cortes de produção finalmente estava perdendo força. A recuperação do petróleo em relação ao nível mais baixo em 12 anos, no mês passado, foi impulsionada pela especulação de que os grandes produtores estavam finalmente formando uma coalizão que poderia trabalhar para encerrar o excesso.

O problema de usar o congelamento da produção como base de uma cooperação mais profunda é que nenhuma das partes envolvidas precisa fazer nenhum esforço para cumpri-lo.

"Os quatro produtores envolvidos já estão produzindo próximo ao seu pico", disse Miswin Mahesh, analista do Barclays em Londres. "No mercado do petróleo, o congelamento é o equivalente a convocar um cessar-fogo quando se está ficando sem munição".

O acordo fechado na terça-feira na capital do Catar é o primeiro sinal da cooperação entre a Opep e os países de fora da organização, algo necessário, segundo a Arábia Saudita, para que o país concorde em limitar a produção. O fracasso das tentativas anteriores de coordenação, como, por exemplo, quando a Rússia ofereceu a redução da oferta em 2008 e continuou bombeando, faz os analistas duvidarem que essa união mais recente funcione. As diferenças em relação ao conflito na Síria -- onde sauditas e russos apoiam lados opostos -- também são um obstáculo.

Al-Naimi poderá esclarecer o que esperar do acordo quando realizar um discurso especial na conferência IHS CERAWeek, em Houston, na terça-feira.

A Nigéria, outro membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, apoia um limite à produção, mas também quer que seja oferecido espaço para que o Irã e o Iraque reconquistem a participação de mercado perdida, disse a repórteres o ministro do Petróleo do produtor africano, Emmanuel Kachikwu, no domingo, em Doha. Kachikwu e o presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, se encontrarão com o rei saudita na terça-feira, em Riad, onde discutirão os esforços para estabilizar os preços do petróleo, segundo um comunicado enviado por e-mail pelo gabinete do presidente.

"Países como Irã e Iraque estão fora do mercado há um tempo e se eles estão prestes a retornar não se deve congelá-los no nível em que estão, eles deveriam ser congelados em um nível mais elevado", disse Kachikwu. "Até junho chegaremos muito perto de restringir o mercado".

Potencial russo

Como reconheceu o vice-primeiro-ministro russo, Arkady Dvorkovich, em 16 de fevereiro, o cumprimento do congelamento da produção não é um grande esforço para o segundo maior produtor de petróleo do mundo. A maioria das empresas não terá que adotar nenhuma medida para cumprir o acordo e a produção do país já caminhava para a estabilidade neste ano depois que os aumentos de impostos recentes reduziram o potencial de crescimento, disse ele.

"O congelamento da produção não muda, na prática, nossa visão sobre a oferta da Rússia para este ano", disse Jeff Currie, chefe de pesquisa de commodities do Goldman Sachs em Nova York. A produção do país não crescerá nada mais após ter atingido 10,84 milhões de barris por dia no mês passado, estima o banco.

A Arábia Saudita já ampliou a produção em cerca de 500.000 barris por dia nos últimos 12 meses, para níveis próximos de um recorde de mais de 10 milhões de barris por dia. Apesar de o país do Oriente Médio ter pelo menos 1 milhão de barris por dia em capacidade extra, é provável que não pretenda explorar a reserva, que é guardada para cobrir perturbações no mercado, disse Harry Tchilinguirian, chefe de estratégia dos mercados de commodity do BNP Paribas.

Para alguns observadores, a distensão entre russos e sauditas é a primeira tentativa de algo maior -- o retorno do apetite da Opep para administrar o mercado.

"A Opep não está morta", disse Olivier Jakob, diretor da consultoria Petromatrix GmbH, por e-mail, de Zug, na Suíça. "Ela está de volta".

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