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Pessimistas rondam mercados da África após onda de otimismo

Paul Wallace

(Bloomberg) - A esperança de que os mercados de bonds e ações da África não atraiam só os mais aventureiros está desaparecendo.

Um coquetel tóxico de queda dos preços das commodities, má gestão de políticas e corrupção tenaz expôs investidores como Mark Mobius por causa de seu otimismo excessivo. Em 2012, quando ele declarou que a África "poderia ser a notícia dos mercados emergentes nos próximos dez anos", seu Templeton Emerging Markets Group seguiu os passos da Neptune Investment Management e do JPMorgan Chase Co. e criou um fundo dedicado ao continente.

"Se você tivesse me perguntado há dez anos, eu teria projetado um crescimento importante nos mercados de capitais, em particular com coisas como aberturas de capital e o aprofundamento dos mercados de bonds", disse Joseph Rohm, que administra US$ 900 milhões em ações em onze países africanos para a Investec Asset Management, com sede na Cidade do Cabo. "Foi a maior decepção".

A combinação entre moedas mais fracas e queda dos valores de ativos está bombardeando os mercados acionários. A Nigéria, a maior economia, viu o valor de mercado de sua bolsa em dólares diminuir pela metade desde o fim de 2013, para US$ 41,9 bilhões, quase um décimo do nível de Cingapura e metade do patamar da Colômbia. O principal indicador na África do Sul, o maior do continente, recuou quase 30 por cento na moeda dos EUA, e os de Gana e do Quênia caíram 48 por cento e quase 15 por cento, respectivamente.

Os valores dos ativos estão despencando porque os governos têm dificuldades para combater o aumento de déficits orçamentários e em conta-corrente. Embora a África Subsaariana tenha sido a região mais dinâmica de 2015 depois dos países emergentes da Ásia, seu crescimento caiu para 3,5 por cento, o ritmo mais lento desde 2009, segundo o FMI. A região está sofrendo por causa do desmoronamento dos preços de matérias-primas, como o petróleo, o cobre e o carvão, provocado pelo excesso de oferta e pelo enfraquecimento da demanda da China.

Pessimismo

Cinco dos catorze maiores índices acionários da África Subsaariana declinaram mais de 20 por cento após os últimos picos em bull markets e caíram em território pessimista, e outros seis recuaram mais de 10 por cento. Os bonds em dólares da região estão perdendo mais dinheiro que a média dos mercados emergentes neste ano, e as moedas de Zâmbia, do Malaui, de Angola e da África do Sul registraram alguns dos piores desempenhos do mundo nos últimos seis meses.

Os fluxos de saída também aumentaram porque os investidores recuam em antecipação a aumentos das taxas de juros dos EUA. Os fluxos externos para o mercado acionário da Nigéria caíram 32 por cento no ano passado em meio ao enfraquecimento da economia e à exasperação dos investidores em relação aos controles cambiais, o que levou a naira para um valor mínimo recorde no mercado negro devido à escassez de dólares. A moeda angola se desvalorizou 17 por cento neste ano por causa da queda dos preços do petróleo.

À medida que as moedas caem, fica cada vez mais caro para os governos pagar a dívida externa, e os yields dispararam. Dos 17 países da África Subsaariana com dívidas em dólares, 15 viram o yield subir mais de 8 por cento. Há um ano, só dois deles tinham taxas tão altas. Angola, Gana e Zâmbia, cujos yields subiram para entre 13 por cento e 16 por cento, já não contam com acesso ao mercado de eurobonds, segundo a M&G Investments, com sede em Londres, que administra cerca de US$ 1,4 bilhão em dívida de mercados emergentes.

Preocupação

Aprofundar o trading de ações e bonds e atrair novamente os investidores estrangeiros serão formas de aliviar os problemas econômicos, segundo Razia Khan, diretora de pesquisa sobre a África do Standard Chartered em Londres.

As chances de isso acontecer neste ano são pequenas, disse John Ashbourne, economista da Capital Economics para a África em Londres.

"As pessoas vêm se preocupando com as moedas nos últimos dois anos", disse ele. "Não acredito que isso vai desaparecer".

Título em inglês: 'Once Hyped as Next Big Thing, Bears Now Stalk Africa Markets (1)'

Para entrar em contato com o repórter:

Paul Wallace, em Lagos, pwallace25@bloomberg.net

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