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Se 'Brexit' provocar queda da libra, euro também cairá

Eshe Nelson, Manisha Jha e Chiara Albanese

(Bloomberg) - O referendo da Grã-Bretanha sobre sua participação na União Europeia não é uma ameaça apenas para a libra. Ele está gerando riscos nos mercados cambiais de todo o continente.

Embora a libra tenha liderado os declínios entre as principais moedas na segunda-feira com sua maior queda desde 2010, o euro sofreu a segunda queda mais acentuada, empurrado pelos sinais de desaceleração do crescimento. O custo das opções que protegem contra perdas na moeda de 19 países europeus também disparou. A potencial saída do Reino Unido poderia prejudicar o comércio e encorajar outros membros a renegociar sua relação com a UE, o que sinaliza a possibilidade de mais perdas para o euro antes do referendo da Grã-Bretanha, que acontecerá no dia 23 de junho.

"Se tivermos um risco maior de 'Brexit', teremos um risco negativo para o euro", disse Daragh Maher, chefe de estratégia cambial dos EUA do HSBC Holdings, maior banco europeu, em Nova York. "Não na mesma proporção que para a libra, mas na mesma direção. O 'Brexit' continua interferindo no euro".

Embora o presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi talvez recebesse bem a desvalorização do euro, que ajudaria a revigorar a economia da região, o fato de ela ser provocada por um risco sistêmico poderia ser mais problemático. Se o Reino Unido sair da UE, isso colocaria em dúvida todo o projeto europeu, que defende a integração dentro da região, de acordo com Frederik Ducrozet, economista do Banque Pictet Cie em Genebra.

Promessa de Draghi

Como a zona do euro ainda está tentando se recuperar de sua crise de dívida soberana, o bloco não tem condições de arcar com mais turbulências que ameacem o crescimento. Draghi já prometeu mais de um trilhão de euros em compras de ativos e cortou as taxas de juros para menos de zero na tentativa de aumentar a inflação e a perspectiva de que haverá mais estímulos na reunião do próximo mês está enfraquecendo ainda mais o euro.

O euro recuou 0,9 por cento na segunda-feira, quando relatórios mostraram que tanto a atividade industrial quanto a atividade de serviços da região desaceleraram. A libra caiu 1,8 por cento.

A projeção mediana entre os analistas consultados pela Bloomberg é de queda para US$ 1,08 até o dia 31 de março e de terminar o ano nesse patamar.

'Questão europeia'

"O 'Brexit' é uma questão europeia, não se trata de uma questão apenas do Reino Unido", disse Donal Kinsella, diretor de investimento em renda fixa em Londres da Henderson Global Investors, que administra cerca de US$ 130 bilhões. "Talvez sejam necessárias respostas em termos de políticas dos bancos centrais além do Banco da Inglaterra, especialmente se o BCE considerar que o 'Brexit' prejudicará o crescimento da zona do euro".

Sete dos nove maiores parceiros comerciais do Reino Unido estão na UE, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, o que significa que a saída poderia afetar ambos os lados se as condições de negócios piorarem. Países europeus menores, como Irlanda, Luxemburgo e Malta, se sairiam pior se o Reino Unido perder parte de seu acesso ao mercado comum, disseram economistas da Fundação Bertelsmann, da Alemanha. Até mesmo os pesos-pesados do continente, como França, Alemanha e Itália, não sairiam ilesos.

A saída do Reino Unido do bloco está longe de ser uma certeza. Uma pesquisa telefônica realizada pela Survation no sábado mostrou que 48 por cento dos participantes querem que o Reino Unido permaneça na UE, em comparação com 33 por cento que votaria pela saída e 19 por cento que ainda não se decidiu.

 

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