Mercedes interrompe reinado de robôs na linha de produção

Elisabeth Behrmann e Christoph Rauwald

(Bloomberg) -- A Mercedes-Benz oferece o sedã Classe S com uma lista cada vez maior de opcionais, como frisos de fibra de carbono, aparadores de copo aquecidos e resfriados e quatro tipos de tampas para as válvulas dos pneus. Os robôs da fabricante de veículos não estão conseguindo acompanhar.

Como a customização está se tornando fundamental para atrair os consumidores modernos, a flexibilidade e a destreza dos trabalhadores humanos estão recuperando espaço nas linhas de montagem da Mercedes. Isso vai contra uma tendência que deu uma vantagem às máquinas sobre a mão de obra desde que o lendário ferroviário americano John Henry morreu tentando superar um martelo motorizado, há mais de um século.

"Os robôs não conseguem lidar com o grau de individualização e com as muitas variações que temos hoje", disse Markus Schäfer, chefe de produção da fabricante de veículos alemã, em sua fábrica de Sindelfingen, a principal da rede internacional de produção da unidade da Daimler. "Estamos economizando dinheiro e protegendo nosso futuro empregando mais pessoas".

A planta de Sindelfingen, a maior da Mercedes, é um lugar improvável para se questionar os benefícios da automação. Embora produza modelos de elite, como o carro esportivo GT e o ultraluxuoso sedã Maybach Classe S, a fábrica de 101 anos está longe de ser uma unidade de montagem customizada. O complexo processa 1.500 toneladas de aço por dia e produz mais de 400.000 veículos por ano.

Isso torna a produção eficiente e dinamizada tão importante em Sindelfingen quanto em qualquer outra planta automotiva. Mas a era da individualização está forçando mudanças nos métodos de fabricação que tornam os carros e outros produtos acessíveis para as massas. O ímpeto por mudança vem da versatilidade. Embora sejam bons no cumprimento confiável e repetido das tarefas estabelecidas, os robôs não são bons em adaptação, algo cada vez mais em demanda devido à oferta mais ampla de modelos, cada qual com mais e mais recursos.

"A variedade é grande demais para ser encarada pelas máquinas", disse Schäfer, que está pressionando para reduzir para 30 o número de horas necessárias para produzir um carro, contra 61 em 2005. "Eles não conseguem trabalhar com todos os diferentes opcionais e acompanhar as mudanças".

Com a fabricação focada em uma equipe qualificada de trabalhadores a Mercedes poderá mudar a linha de produção em um fim de semana em vez das semanas necessárias no passado para reprogramar robôs e mudar padrões de montagem, disse Schäfer. Durante a suspensão, a produção seria paralisada.

'Criação de robôs'

O Mercedes Classe E reformulado, que irá à venda em março, é um exemplo do recuo das máquinas. Para alinhar o painel do carro, que projeta a velocidade e as instruções de navegação no para-brisa, a fabricante substituirá dois robôs instalados de forma permanente por uma máquina leve e móvel ou por um trabalhador.

Os robôs não desaparecerão por completo, mas serão cada vez menores e mais flexíveis e operarão em conjunto com trabalhadores humanos em vez de serem acionados de trás de cercas de segurança. A Mercedes chama a iniciativa de equipar os trabalhadores com uma série de pequenas máquinas de "criação de robôs".

A segunda maior fabricante de carros de luxo não está sozinha. A BMW e a Audi, pertencente à Volkswagen, também estão testando robôs leves equipados com sensores e seguros o suficiente para trabalharem com humanos. A vantagem que elas estão buscando é serem melhores e mais rápidas que as rivais em um momento em que o ritmo das mudanças que afetam a indústria automobilística se acelera. Os carros estão cada vez mais se transformando em smartphones sobre rodas e as fabricantes são pressionadas a atualizar seus modelos em intervalos menores que o tradicional ciclo de sete anos.

"Estamos nos distanciando da tentativa de maximizar a automação e fazendo com que os humanos assumam uma parcela maior dos processos industriais novamente", disse Schäfer. "Precisamos ser flexíveis".

 

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