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México: Petróleo não se recuperará até segundo semestre de 2017

Lucia Kassai e Javier Blas

(Bloomberg) -- Os preços do petróleo não se recuperarão até o segundo semestre do ano que vem, pelo menos, disse o ministro de energia mexicano, Pedro Joaquín Coldwell, unindo-se a um coro de líderes e autoridades do setor que preveem um longo período de preços baixos.

A projeção sugere mais problemas para o setor de energia e para os países ricos em petróleo em um momento em que o petróleo brent, uma referência global, é negociado perto do nível mais baixo em 12 anos. O México, que não faz parte da Opep, está disposto a participar de uma reunião entre produtores da Opep e de fora da organização para discutir um potencial congelamento da produção, disse Coldwell, em entrevista concedida na quarta-feira, na conferência IHS CERAWeek, em Houston. Coldwell disse que ele e o ministro do petróleo saudita, Ali al-Naimimet, conversaram sobre o mercado do petróleo na terça-feira.

"A recuperação do preço do petróleo levará muito tempo", disse Coldwell. "Eu acredito que a recuperação do preço poderia levar um ano e meio a dois anos para acontecer".

Al-Naimi disse na terça-feira, na mesma conferência, que o acordo para o congelamento da produção marcava "o início de um processo" que continuará com mais debates entre os países produtores, em março. A Venezuela disse mais tarde, no mesmo dia, que Arábia Saudita, Rússia e outros produtores de petróleo importantes estavam conversando a respeito de se reunirem no mês que vem para discutir o mercado.

O México, atualmente o 10o maior produtor do mundo, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, arquitetou uma série de cortes à produção de petróleo em 1998 e 1999, envolvendo a Opep e diversos países de fora da Opep, que reanimaram os preços.

2 milhões de barris

O mercado tem uma oferta excedente de cerca de 2 milhões de barris por dia, disse Coldwell, o equivalente ao consumo da França. Como os estoques de petróleo estão aumentando a cada dia, a Agência Internacional de Energia alertou em 9 de fevereiro que era "muito difícil ver de que forma os preços do petróleo poderiam subir significativamente". É improvável que o México reduza a produção neste momento, disse Coldwell.

"O México não contribuiu para o excesso de oferta atual", disse ele, acrescentando que a produção do país caiu aproximadamente 1 milhão de barris por dia nos últimos 10 anos.

Al-Naimi disse na terça-feira que a Arábia Saudita, país que é o maior exportador de petróleo do mundo, não reduzirá sua produção. Ele sugeriu que, em vez disso, os produtores de alto custo precisavam "reduzir custos, tomar dinheiro emprestado ou liquidar", acrescentando: "Soa duro, e infelizmente é, mas esta é a forma mais eficiente de reequilibrar os mercados".

Queda de 40 %

Os preços do petróleo caíram 40 por cento no ano passado depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo disse, em novembro de 2014, que não reduziria sua produção para controlar os preços em um momento em que as exploradoras do xisto dos EUA estavam ampliando sua produção.

O Equador, um dos menores produtores da Opep, reduziu sua projeção para o preço médio do barril de petróleo neste ano para US$ 25, disse o presidente Rafael Correa na quarta-feira, em comunicado publicado no boletim presidencial.

A queda dos preços do petróleo se deu em um momento em que o México, a segunda maior economia da América Latina, atrás do Brasil, busca investimentos para desenvolver seu envelhecido setor de energia. No ano passado, o país encerrou um monopólio que por 76 anos deu à Petróleos Mexicanos os direitos exclusivos para perfurações petrolíferas e produção de combustíveis para motores e também deu as boas-vindas aos investidores estrangeiros.

Embora esteja parcialmente protegido dos preços baixos por uma série de hedges de petróleo, o México já está reduzindo os gastos públicos para sobreviver à crise. Para 2016, o país fez hedge para suas exportações de petróleo a uma média de US$ 49 o barril. No ano passado, o México recebeu um pagamento de US$ 6,4 bilhões de seu hedge, o maior desde que o país latino-americano começou a usar derivativos financeiros para garantir as receitas do petróleo, em 1991.

 

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