Para amantes do ouro, festa continua após 17% de alta no 1º tri

Megan Durisin

(Bloomberg) -- Mesmo após um março lento, gerentes de recursos apostam que a commodity de melhor desempenho do trimestre passado ainda tem espaço para subir.

Apesar de os futuros do ouro terem caído em relação à maior alta em 13 meses, hedge funds registram o maior otimismo desde janeiro de 2015. O metal precioso teve o avanço trimestral mais forte em três décadas em um momento em que a turbulência nos mercados financeiros e a redução do crescimento econômico global aumentaram a demanda pelo metal como porto seguro.

A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, disse na semana passada que a cúpula do banco central americano deveria "avançar cautelosamente" com os planos de elevação das taxas de juros por causa dos riscos provenientes da economia global. A empresa de pesquisa Metals Focus, com sede em Londres, estima que os investidores colocarão dinheiro no metal em um momento em que os bancos centrais estão mantendo as taxas de juros baixas para impulsionar o crescimento. Os preços mais altos estão elevando as ações de produtoras como Newmont Mining e Freeport-McMoRan.

"A demanda por investimento está com os lingotes e obviamente com as ações também", disse Maria Smirnova, gerente de portfólio da Sprott Asset Management em Toronto, que administra 8,5 bilhões de dólares canadenses (US$ 6,5 bilhões). "Está havendo uma mudança de maré no mundo com a constatação de que as políticas monetárias não têm sido tão efetivas quanto os bancos centrais esperavam. Não vemos inflação. Os juros estão caindo. Isso é positivo para o ouro no momento".

Apostas em ouro

Os hedge funds aumentaram as posições compradas em futuros e opções de ouro em 2,1 por cento, para 164.946 contratos, na semana que terminou em 29 de março, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, na sigla em inglês) divulgados três dias depois. Os gestores de recursos aumentaram as apostas otimistas em três das últimas quatro semanas.

Os futuros do ouro eram negociados a US$ 1.218,40 a onça na Comex, em Nova York, nesta segunda-feira, após tocarem uma alta de US$ 1.287,80 em 11 de março. Os preços avançaram 17 por cento no primeiro trimestre, maior ganho do tipo desde 1986. O metal caiu por três anos seguidos até 2015.

O temor de que o mal-estar econômico se alastrará para os EUA diminuiu as probabilidades de um aumento nos juros pelo Fed. As chances de o banco central modificar a taxa até julho caíram para 36 por cento, contra 79 por cento no início do ano, com base em dados de futuros das taxas. Juros mais baixos são vantajosos para o ouro, que se torna mais competitivo em relação a ativos com incidência de juros.

O que também está ajudando os lingotes é a queda do dólar, que aumenta o apelo do metal como ativo alternativo. Em março, a moeda americana registrou seu maior prejuízo mensal desde 2010 em relação a uma cesta de 10 moedas.

Fundamentos 'positivos'

"Os fundamentos, em particular as políticas que geram dinheiro fácil globalmente, são muito positivos", disse Adrian Day, presidente da Adrian Day Asset Management em Annapolis, Maryland, que administra US$ 146 milhões. "O dólar parece ter atingido um pico, pelo menos no curto prazo".

Com os dados da semana passada mostrando poucos sinais de que a desaceleração global está atingindo os EUA, alguns investidores podem estar reavaliando a perspectiva. Os dados sobre o mercado de trabalho dos EUA divulgados na sexta-feira mostraram uma geração de empregos resiliente e uma aceleração nos salários em março, enquanto outro relatório mostrou um aumento nas encomendas, o que sinaliza que as fábricas americanas estão emergindo de sua pior crise desde a última recessão.

Os futuros dos lingotes subiram pouco no mês passado e o metal não registra uma alta semanal desde o início de março. Ao mesmo tempo, as ações globais fecharam sua maior alta mensal desde outubro.

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