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Banco do Japão estuda taxa negativa para empréstimos, dizem fontes

Toru Fujioka e Masahiro Hidaka

(Bloomberg) -- Após adotar taxas de juros negativas para algumas reservas em excesso com o objetivo de penalizar as instituições financeiras por deixarem o dinheiro parado, o Banco do Japão poderia estudar ajudá-las a conceder crédito oferecendo taxa negativa para alguns empréstimos, segundo pessoas familiarizadas com as negociações no banco central japonês, conhecido pela sigla em inglês BOJ.

A discussão poderia ocorrer juntamente com uma possível decisão de realizar um corte mais profundo na taxa negativa atual aplicada às reservas, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque o assunto é privado. O mecanismo de estímulo ao financiamento bancário do BOJ, que atualmente oferece empréstimos com juros de zero por cento, seria o veículo mais provável para essa opção, disseram.

As autoridades ouvidas disseram que a adição da ferramenta ao arsenal do banco central poderia causar um impacto positivo sobre a economia, mas também geraria questionamentos sobre a oferta de subsídios aos bancos comerciais. As instituições financeiras, que já se sentem penalizadas pela taxa negativa atual, poderiam enfrentar exigências dos tomadores de empréstimos para reduzirem ainda mais suas margens de empréstimos, disseram as pessoas.

As ações dos bancos subiram devido ao otimismo com a possibilidade de adoção da medida e o iene caiu. Economistas do BNP Paribas, do Credit Suisse e do Morgan Stanley MUFG Securities estão entre os que anteciparam a possibilidade de o BOJ adotar esse tipo de medida.

Tamanho atual

O BOJ tinha oferecido 24,4 trilhões de ienes (US$ 223 bilhões) em créditos por meio do mecanismo de estímulo ao financiamento bancário até 10 de abril. Essa iniciativa não faz parte do núcleo da iniciativa de flexibilização quantitativa do BOJ, que mira uma expansão da base monetária principalmente por meio de aquisições de títulos de dívida do governo. Ela foi iniciada durante o mandato do ex-presidente do BOJ, Masaaki Shirakawa, em dezembro de 2012.

A próxima reunião de política monetária do conselho do BOJ será nos dias 27 e 28 de abril. Os analistas veem uma probabilidade cada vez maior de que ocorra algum tipo de ação para conter a valorização do iene e os danos às expectativas de inflação; 23 dos 41 analistas consultados pela Bloomberg preveem alguma medida. Dezenove veem um aumento nas compras de ETFs, oito projetam o aumento das compras de títulos de dívida e oito vislumbram uma redução na taxa básica, segundo a pesquisa.

O iene caiu 1 por cento em relação ao dólar, para 110,58, às 16h59, em Tóquio, ajudando a conter parte da valorização da moeda ocorrida desde que as autoridades do BOJ se reuniram pela última vez. O presidente Haruhiko Kuroda sinalizou suas preocupações em relação à valorização do iene em entrevista ao Wall Street Journal, na semana passada. Esse sentimento é compartilhado por importantes executivos do banco central, disseram pessoas informadas sobre as discussões no início desta semana.

Os bancos centrais europeus também deram um passo adiante na oferta de recursos subsidiados aos bancos para que concedam empréstimos aos seus clientes. Em um programa com início previsto para junho, o Banco Central Europeu deverá oferecer financiamento à taxa zero, que poderia ser cortado retroativamente da taxa de depósito do BCE -- atualmente de menos 0,4 por cento -- dependendo do quanto o banco entregar a empresas e famílias. O mecanismo é conhecido como TLTRO-II.

Pesquisa sobre empréstimos

No Japão, onde a taxa abaixo de zero entrou em vigor em fevereiro, uma pesquisa com executivos do segmento de empréstimos mostrou nesta semana que as margens de lucros dos bancos com os empréstimos para empresas de alta classificação atingiram o nível mais baixo em quase uma década. A pesquisa trimestral do BOJ mostrou também que houve queda na demanda por crédito de pequenas, médias e grandes empresas.

"Isso não resolveria o problema estrutural subjacente dos bancos, que não é um problema de oferta de empréstimos, mas de demanda", escreveram analistas da Jefferies, incluindo Mac Salman, em um relatório.

O BOJ disse em seu relatório semianual sobre o sistema financeiro, na sexta-feira, que sua flexibilização monetária com taxa de juros negativa "exercerá uma pressão descendente sobre os lucros das instituições financeiras no momento".

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