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Análise: três aspectos importantes da reunião do banco central dos EUA

Mohamed El-Erian

(Bloomberg) -- Aqui estão três aspectos importantes da reunião desta quarta-feira (27) do Comitê Federal de Mercado Aberto, órgão do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) sempre muito observado.

É provável que as autoridades do Fed montem o cenário para um possível aumento da taxa de juros em sua próxima reunião, em junho.

Elas serão motivadas principalmente por três fatores: um maior fortalecimento das condições do mercado de trabalho, que também melhora as perspectivas para o crescimento dos salários; a recente flexibilização significativa das condições financeiras, incluindo acesso mais fácil a empréstimos para o financiamento corporativo e de hipotecas; e, de modo mais geral, a vontade do banco central de dar continuidade ao processo de cuidadosa normalização da política monetária, depois de tantos anos de experimentações. 

No entanto, o Fed não vai eliminar nenhuma das opções de política neste momento. As autoridades deixarão claro que suas decisões, inclusive a possibilidade de aumentar as taxas em junho, continuam "dependendo dos dados". Como resultado, irão sinalizar que um aumento em junho não é uma certeza, simplesmente passou de menos provável a mais provável.

Tal postura condicional por parte do Fed é menos dependente do contexto doméstico do que dos eventos no restante do mundo --como a desaceleração econômica, assim como as incertezas de fora da órbita econômica, como o referendo do Reino Unido sobre a saída da União Europeia, marcado para o dia 23 de junho.

O "velho" Fed --uma instituição que estava mais orientada ao âmbito doméstico e disposta a liderar os mercados-- teria decidido aumentar os juros nesta reunião. Na verdade, alguns representantes (mas não a maioria) já poderiam querer fazer isso na quarta-feira.

Mas a elevada incerteza internacional e algumas valorizações excessivas significam que o Fed não quer surpreender os mercados - especialmente com as lembranças das perturbações de janeiro e início de fevereiro ainda na memória.

O Fed vai chamar a atenção dos participantes do mercado, mas o acontecimento mais interessante desta semana poderia ser a reunião do Banco do Japão, na quinta-feira. Esse banco central enfrenta uma decisão política extremamente complicada, intensificada por pressões descendentes sobre as expectativas inflacionárias e pela recente valorização da moeda. Esses dois fatores acentuam a ameaça de um aprofundamento da armadilha deflacionária.

No entanto, a julgar pelas respostas às ações políticas dramáticas anteriores do banco --como uma redução surpresa para taxas nominais negativas-- parece que essa instituição monetária é a que chegou mais perto do ponto de perigo em que sua intervenção política não só está se tornando ineficaz, mas contraproducente.

Como resultado, suas ações serão observadas de perto pelos outros, especialmente pelo Banco Central Europeu, cujas autoridades estão preocupadas, e com razão, com a possibilidade de seguir por um caminho parecido ao expandir suas políticas pouco convencionais.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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