Análise: Faz sentido para AB InBev vender marcas na Europa

Andrea Felsted

(Bloomberg) -- O plano da AB InBev de vender as marcas de cervejas da SABMiller na Europa Central e no Leste Europeu tem sido apresentado como mais uma concessão aos órgãos antitruste.

Mas, diferentemente da venda de US$ 1,6 bilhão da participação de 49 por cento da SABMiller na China Resources Snow Breweries e de parte de suas empresas premium para a Asahi, esta é uma venda em que há vantagens.

Os ativos negociados anteriormente eram fortes em mercados bons. Eles teriam sido entregues com certo pesar pelos negociadores da AB InBev com o objetivo de conseguir aprovação regulatória para o acordo de US$ 107,5 bilhões que criou a "megacervejaria".

A venda mais recente na Europa, por sua vez, deve-se mais a uma escolha estratégica.

Como pontua Duncan Fox, da Bloomberg Intelligence, a SABMiller mira países com populações jovens e de rápido crescimento, áreas urbanas prósperas e classes médias fortes. É por isso que a SABMiller, que gera 64 por cento de sua receita operacional na América Latina e na África, é desejada.

Em contrapartida, a Europa, de crescimento mais lento, não é prioridade. Os ativos da SABMiller na Europa Central e no Leste Europeu também não têm apresentado um desempenho tão bom. Os volumes de cerveja tipo Lager vendidos na Europa caíram 1 por cento no último ano fiscal da empresa.

Contudo, os ativos da Europa Central ainda representam um negócio considerável, com um valor estimado entre 10 e 14 vezes o lucro operacional, de cerca de US$ 460 milhões. Isso colocaria o valor da unidade em cerca de US$ 6 bilhões. Esses recursos virão a calhar para o financiamento do enorme acordo da megacervejaria.

Em termos de compradores naturais a Heineken e a Carlsberg poderiam enfrentar problemas de concorrência se quiserem os ativos. A Carlsberg é a líder do mercado cervejeiro no Leste Europeu, com 24 por cento de participação em 2014, seguida da Heineken, que detém 16,1 por cento, segundo a Euromonitor.

A Molson Coors poderia ser uma pretendente, porque está buscando expandir-se na região. A empresa tem uma participação de mercado de 5 por cento no Leste Europeu, mas poderia ter que levantar capital. Caso contrário, há compradores financeiros e cervejarias de fora da Europa. A japonesa Asahi está adquirindo as marcas Peroni, Grolsch e Meantime da SABMiller e poderia abrigar as marcas da Europa Central.

Conforme observamos anteriormente, as ações da AB InBev garantiram um prêmio devido à sua capacidade de obter margens operacionais maiores que as de suas rivais. Mas os custos subiram porque a empresa está tentando impulsionar as marcas de cerveja americanas populares e expandir-se no ramo de cervejas artesanais, no qual os ingredientes de alto padrão podem sair caro.

Há dúvidas também quanto à capacidade da AB InBev de conseguir, com o acordo da megacervejaria, uma economia maior que a prometida, de US$ 1,4 bilhão ao ano, algo esperado pelos investidores. Pelo menos esta venda mais recente mostra que, na hora de cortar gordura, a reputação da empresa de gestora inteligente de ativos continua intacta.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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