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Japão continua com demanda por títulos mais caros do mundo

Wes Goodman e Shigeki Nozawa

(Bloomberg) -- O apetite dos investidores japoneses por títulos com vencimento em 30 anos fez com que eles se tornassem - segundo um gerente de hedge fund - nos mais caros do planeta. E os locais dizem que querem mais.

As notas com vencimento em quinze anos ou mais são as únicas com yields positivos no país, resultado de aquisições de papéis sem precedentes por parte do Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês), que deixaram os investidores com pouca opção além de comprar, embora os títulos estejam encarecendo. O governo vendeu dívida com vencimento em 30 anos nesta quinta-feira com um yield médio à taxa mínima recorde de 0,319 por cento, 226 pontos-base a menos que os títulos do Tesouro dos EUA com o mesmo vencimento.

Por enquanto, os investidores têm sido recompensados. O índice da Bloomberg para a dívida com vencimentos ultralongos do Japão disparou 23 por cento neste ano, embora o banco central esteja forçando o limite do estímulo à compra de papéis e qualquer aumento nos yields prejudicará mais as notas com vencimentos mais prolongados. Adam Fisher, diretor de investimentos do hedge fund CommonWealth Opportunity Capital, disse que o papel japonês com vencimento em 30 anos "talvez seja o título com o preço mais exagerado do planeta".

"Os investidores japoneses têm que comprar dívida com vencimento daqui a 20 anos, inclusive nós", disse Hideaki Kuriki, investidor em dívida da Sumitomo Mitsui Trust Asset Management, que administra US$ 75 bilhões. "Enquanto o BOJ estiver comprando, os yields da dívida do governo japonês não subirão."

Leilões

Embora a venda desta quinta-feira tenha conseguido um yield mínimo recorde, outro indicador do apetite dos investidores caiu. Os investidores apresentaram pedidos de compra por 3,01 vezes a quantidade de dívida oferecida, o patamar mais baixo nos leilões mensais desde julho.

A transição para títulos com vencimentos mais distantes mostra que as iniciativas do banco central para empurrar os investidores para investimentos de maior risco têm sido bem-sucedidas. Mas o fenômeno faz também com que os compradores estejam cada vez mais vulneráveis ao aumento das taxas de juros. A dívida de maior duração, como as obrigações com vencimentos mais longos, sofre prejuízos mais agudos quando os yields aumentam.

Fisher, da CommonWealth, não está sozinho entre os investidores globais. O Goldman Sachs Group também diz que a dívida do país asiático parece supervalorizada, assim como alguns gerentes de fundos japoneses.

Os investidores de fora do Japão reduziram seus ativos na dívida do país em 852,7 bilhões de ienes (US$ 7,8 bilhões) em março, mostram os últimos números da Japan Securities Dealers Association. Foi a maior diminuição em sete anos.

Vendas

Dados sobre leilões mostram que o Japão ainda atrai investidores. Nas quatro vendas de papéis com vencimento em 30 anos feitas pelo país antes desta quinta-feira, os investidores fizeram lances de em média 3,59 vezes a quantidade de dívida oferecida. Nos EUA, que realizou o mesmo número de leilões de títulos com vencimentos distantes, a média é de 2,28 vezes. O BOJ é dono de cerca de um terço da dívida do governo de seu país, segundo dados do banco central, o que gera a preocupação de que o banco esteja ficando sem títulos para comprar.

O custo dos papéis ainda não se tornou um impedimento, disse Tadashi Matsukawa, diretor de investimento em renda fixa da PineBridge Investments Japan em Tóquio. A controladora da empresa, com sede em Nova York, administra US$ 82,5 bilhões.

"A situação da oferta continua apertada" por causa das aquisições de dívida feitas pelo BOJ, disse Matsukawa. "Não podemos vender".

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