Detentores títulos da Oi buscam trocar R$ 10 bi por ações, dizem fontes

Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- A Oi, operadora de telefonia mais endividada do Brasil, deve receber uma proposta de detentores de títulos da dívida externa para converter até R$ 10 bilhões da dívida em ações, disse uma pessoa com conhecimento do assunto.  

Ideia será discutida na quarta-feira quando a Oi vai iniciar negociações com detentores de títulos representados por Moelis & Company, disse uma das pessoas pedindo para não ser identificada porque as discussões não são públicas.

O grupo de credores considera que única maneira de evitar um default é reduzir níveis de alavancagem para cerca de 3,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ou cerca de R$ 25 bilhões, disse a pessoa. A Oi tinha R$ 49,4 bilhões em dívida até o final de março, com mais da metade vencendo até 2018.

Com o swap, os detentores de dívida podem ter ganhos no futuro se a Oi tiver sucesso na venda de ativos aos competidores, disseram as pessoas.

A Oi e a Moelis não quiseram comentar.

A Oi disse em comunicado na segunda-feira que tem reuniões marcadas nesta semana em NY para iniciar discussões formais com Moelis & Company. A empresa solicitou aos titulares de títulos que não fazem parte do comitê que entrem em contato com a Moelis & Company e se juntem a esse grupo.

O comitê da Moelis cresceu para representar cerca de 40 investidores diferentes, representando detentores de 25 por cento dos títulos da dívida externa, disse uma das pessoas.

A proposta final, incluindo termos da transação, será feita neste mês, disse uma das pessoas.

O Aurelius Capital Management, investidor da Oi, está alegando que uma unidade da empresa possivelmente entrará em situação de "potencial evento de não pagamento" se não resolver o descumprimento de cláusulas de contrato dos títulos até 29 de maio.

Fundo afiliado ao Aurelius, o Capricorn Capital disse em carta à Portugal Telecom International Financ (PTIF), unidade da Oi, em 10 de maio, que a empresa "falhou em cumprir" cláusulas dos contratos da emissão de títulos, resultando assim em "potencial evento de não pagamento". Na mesma carta, cuja cópia foi obtida pela Bloomberg, o Aurelius disse que a Oi tem até 29 de maio para resolver quebras de cláusulas dos contratos dos títulos ou o vencimento será acelerado.

A Oi é a quarta maior operadora de telefonia celular no Brasil e também opera parte da rede onerosa de telefonia fixa do país e tem o compromisso legal de realizar sua expansão e manutenção. A Oi teve cerca de R$ 5 bilhões em despesas de juros em 2015, mais do que os R$ 2,7 bilhões de lucro operacional para pagar esses custos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

A Oi disse em março que contratou a PJT Partners para assessorá-la no gerenciamento de sua dívida e anunciou no dia 25 de abril um acordo para iniciar negociações com o grupo representado pela Moelis, para finalizar rapidamente o processo de recuperação. Os consumidores não serão afetados pela reorganização, disse a empresa.

A dívida total da Oi representava no final do ano passado mais de quatro vezes seu capital, comparado com 47 por cento da rival Tim e 15 por cento da Telefônia Brasil, segundo dados compilados pela Bloomberg.

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