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Draghi vive dilema após drenar US$ 800 bi do mercado de títulos

Anooja Debnath

(Bloomberg) -- O maior comprador de títulos soberanos europeus pode ter que começar a espalhar seu dinheiro de forma um pouco mais ampla.

Em abril, o Banco Central Europeu expandiu em um terço seu programa de aquisição de dívidas, para 80 bilhões de euros (US$ 89 bilhões) ao mês, e parece estar ficando sem títulos qualificados, segundo suas próprias regras.

O aumento das compras de títulos irlandeses e portugueses pelo BCE, no mês passado, foi menor que o de dívidas alemãs. Isso sugere que a demanda já ameaça superar a oferta de alguns países. Os bancos dizem que a instituição poderia ter de incluir mais títulos ou riscos, diluindo o estímulo à economia que a flexibilização quantitativa deve injetar.

"Está tudo sobre a mesa", disse Richard McGuire, chefe de estratégia de juros do Rabobank International. "Quando encontram resistência, eles a contornam ajustando as regras, ajustando os limites ou mirando novas classes de ativo."

No momento, as aquisições são baseadas no tamanho da economia dos países e há exclusões ligadas à reestruturação de dívidas. O Rabobank estima que 1,13 trilhão de euros em títulos atualmente fora dos limites poderiam se qualificar se o BCE alterasse os parâmetros.

O BCE iniciou a compra de dívidas soberanas em março do ano passado e gastou mais de US$ 800 bilhões até o momento. Um porta-voz do BCE disse na terça-feira que o banco está confiante de que o programa continuará sendo implementado de forma harmoniosa e que não vê escassez de ativos qualificados segundo as regras atuais. O presidente do BCE, Mario Draghi, disse há um mês que não havia planos de realizar nenhuma mudança.

Pressão alemã

Os títulos são adquiridos por meio do banco central de cada país e a ampliação da permissão ajudaria, em particular, a aliviar a pressão sofrida pela Alemanha. Embora o país tenha uma quantidade menor de dívida em circulação em comparação com a Itália, por exemplo, o Bundesbank atualmente precisa comprar uma quantidade mais elevada porque sua economia é a maior.

"A Alemanha definitivamente é bastante afetada pela falta de títulos qualificáveis", disse Daniel Lenz, estrategista-líder de mercado do DZ Bank em Frankfurt. "Os volumes em circulação são baixos em comparação com outros países e as novas emissões de títulos também são baixas."

Os títulos alemães têm apresentado o melhor desempenho entre os 10 maiores mercados qualificados no programa do BCE, dando retorno de 2,2 por cento em seus 14 meses de duração. Mas pelo ritmo de compra de títulos de hoje, a Alemanha esgotaria a oferta de títulos soberanos em setembro de 2016, ou fevereiro de 2017 se a dívida das regiões alemãs for incluída, assumindo que o BCE não ampliará seus critérios.

"Eles estão basicamente construindo o barco em mar aberto", disse McGuire.

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