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Análise: Esqueça os emergentes, Europa é o novo saco de pancadas

Lionel Laurent

(Bloomberg) -- Quem gostaria de ser um gerente de fundos focado na Europa atualmente? As ações europeias têm apresentado desempenho pior neste ano do que o de todos os mercados desenvolvidos, exceto o Japão.

É claro que a questão não se resume à perspectiva de saída do Reino Unido da UE, que nunca foi maior, apesar de que isso também não ajude. O medicamento de QE de Mario Draghi não foi capaz, até o momento, de curar a paciente zona do euro e o crescimento na região continua anêmico.

E embora os gestores de ativos estejam lidando com os problemas fundamentais do continente, suas comissões estão sofrendo uma pressão intensa dos fundos passivos, cada vez mais populares. Os investidores estão, um pouco tardiamente, despertando para esta nova e preocupante realidade.

Considere a suíça GAM Holding, cujas ações caíram para perto do nível mais baixo em cinco anos na terça-feira. A empresa alertou que a queda das taxas de performance havia eliminado cerca de 50% do lucro subjacente nos seis primeiros meses do ano.

Que diferença faz um ano. Nos seis primeiros meses de 2015, a GAM divulgou um salto de 26 por cento nas taxas de performance e os fundos de ações europeus receberam elogios à parte.

Na época, os mercados emergentes estavam no ritmo desobediente do setor de gestão de ativos, mas até esta altura do ano é o índice MSCI para a Europa que está em baixa de quase 12%, enquanto o índice MSCI de mercados emergentes está em alta de 1,2%.

O anúncio desta terça-feira foi magro em detalhes, mas o site da GAM mostra que a empresa sofreu com a forte queda europeia: seus três fundos regionais para a Europa estão em baixa de 3% a 9% até esta altura do ano, dependendo da moeda.

A empresa calcula que as taxas de performance do primeiro semestre irão evaporar, passando de 44,1 milhões para 1 milhão de francos suíços no espaço de um ano.

Este não é um problema apenas da GAM. O Europe Hedged Equities ETF da WisdomTree está em baixa de quase 5 por cento no ano até a data.

É compreensível que os investidores estejam retirando seu dinheiro das ações europeias -- e os mercados emergentes estão se aproveitando disso.

O Bank of America Merrill Lynch informou que os mercados emergentes acabam de desfrutar de sua maior entrada semanal de recursos em 11 semanas, de cerca de US$ 900 milhões, enquanto a Europa registrou a 18ª semana seguida de saída de capital, com uma queda de US$ 2,2 bilhões.

Para os gestores de ativos que desfrutaram do salto europeu em 2015, este ano será um trabalho muito mais difícil. A gestora de fundos Henderson tem alta exposição às ações europeias, segundo analistas da Exane, que pontua que os fundos que serviram como ímãs para os recursos no ano passado viram essas entradas caírem bruscamente.

Os analistas estimam que a Henderson divulgará uma queda nas taxas de performance neste ano para 41 milhões de libras (US$ 58 milhões), nível mais baixo desde 2012.

Tudo isto leva a uma pergunta: alguém está se dando bem na Europa neste ambiente?

Bem, um porto seguro poderiam ser os gestores de recursos que mantêm o dinheiro do investidor trancado por mais tempo e cobram taxas com as quais não se pode competir facilmente. As ações da suíça Partners Group, que investe em ativos de private equity, imóveis e infraestrutura, estão em alta de 14,6% no ano até a data -- desempenho melhor que o do Facebook.

Esses mercados têm suas próprias pressões, é claro, mas em um momento de volatilidade do mercado de ações, incerteza com a Brexit e concorrência de fundos de baixo custo, eles provavelmente dão menos motivos para noites em claro.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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