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China vende ações dos EUA além de títulos do Tesouro

Andrea Wong e Oliver Renick

(Bloomberg) -- Nos últimos doze meses, a venda de títulos do Tesouro dos EUA pela China tem irritado os investidores e funcionado como um indicador da saúde da segunda maior economia do mundo.

O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês), dono das maiores reservas de moeda estrangeira do mundo, consumiu 20 por cento de suas reservas desde 2014 com a venda de cerca de US$ 250 bilhões em dívida do governo americano e usou os recursos para dar suporte ao yuan e frear fluxos de saída de capitais.

As vendas de títulos do Tesouro dos EUA pela China vêm desacelerando, mas agora seus ativos de ações americanas estão mostrando declínios acentuados.

O estoque de ações dos EUA que pertence à China diminuiu cerca de US$ 126 bilhões, ou 38 por cento, do fim de julho até março, para US$ 201 bilhões, mostram dados do Departamento do Tesouro dos EUA. Isso supera em muito o ritmo de venda dos investidores do mundo no período - a posse total entre estrangeiros diminuiu apenas 9 por cento. Enquanto isso, o estoque chinês de papéis do governo americano ficou relativamente estável, com um recuo aproximado de US$ 26 bilhões, ou apenas 2 por cento.

"A carteira americana da China não consiste apenas em títulos do Tesouro dos EUA", disse Brad Setser, membro sênior do Council on Foreign Relations em Nova York. "Para avaliar a atividade da China no mercado é cada vez mais importante olhar além do mercado de títulos do Tesouro dos EUA".

Sinal de pressão

A liquidação das ações sugere que o banco central da China continuava sendo pressionado a captar dólares e suavizar a desvalorização do yuan embora as vendas de títulos do Tesouro dos EUA tenham diminuído, inclusive por meio do que se suspeita que sejam contas de custódia na Bélgica. A redução das ações lembra os investidores de que, embora a China tenha US$ 1,4 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA em seus cofres, o que eclipsa seus outros ativos estrangeiros, o país acumulou uma quantidade de ações americanas suficiente para influir nos mercados globais.

A assessoria de imprensa do PBOC encaminhou as perguntas para a Administração Cambial Estatal (Safe, na sigla em inglês), o braço do banco central que administra as reservas do país. As autoridades da Safe não responderam a um pedido de comentários.

A venda de ações poderia acabar sendo uma medida astuta, considerando que o S&P 500 Index passou 13 meses sem atingir um novo pico no valor de fechamento. A China, que mais do que dobrou seus ativos de ações americanas durante o bull market iniciado em 2009, não seria o único vendedor estrangeiro de investimentos afiliado a um governo. Fundos soberanos de vários países, do Catar até os Emirados Árabes Unidos e a Rússia, vêm liquidando ativos desde que o petróleo bruto começou a despencar em 2014.

"Os chineses, ou outros povos, estão adotando a opinião de que conservar ações dos EUA é presumivelmente muito arriscado, e não me surpreende que eles estejam mudando", disse Fredrik Nerbrand, diretor global de alocação de ativos do HSBC Bank em Londres. "Isso parece mais uma geração de caixa do que qualquer outra coisa e, provavelmente, uma redução dos riscos em sua carteira".

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