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Análise: O que novo CEO diz sobre próximo passo da Pimco

Lionel Laurent

(Bloomberg) -- Isto é o que se pode chamar de risco de homem-chave.

A Man Group, maior gestora de hedge funds de capital aberto do mundo, parece deprimida após a saída do CEO Emmanuel "Manny" Roman para a Pimco -- um dos maiores fundos de renda fixa do mundo. A ação caiu quase cinco por cento devido ao anúncio de quarta-feira.

Mas a saída de Roman não é, sob nenhum aspecto, o tipo de risco de homem-chave (key man risk) que a Pimco sofreu quando seu guru Bill Gross deixou a empresa, em 2014. A saída abrupta do gerente-estrela, em 2014, contribuiu para um declínio de 25 por cento do total de ativos sob gestão da Pimco, para US$ 1,5 trilhão, e provocou cortes de vagas de trabalho.

A decisão de Roman de fato deixa um buraco porque ele ajudou a Man Group a crescer por meio de aquisições. Os negócios recentes da empresa a ajudaram a ampliar sua presença nos EUA, com a Numeric Holdings, focada em análises quantitativas, e a gestora de empréstimos alavancados Silvermine Capital Management, ao mesmo tempo diversificando-se em mercados como o imobiliário e expandindo o braço de investimentos GLG.

Faz sentido que a Pimco, uma unidade da Allianz, tente agarrar parte dessa mágica em vez de buscar uma estrela para substituir Gross.

Para Roman, será uma luta difícil: ele precisa estancar os resgates, aumentar as entradas de recursos e podar a complexa estrutura da Pimco.

A firma precisa de diversificação longe dos títulos em um mundo de yield zero ou negativo. Como todas as gestoras de ativos, ela também enfrenta a pressão competitiva dos fundos passivos. É provável, portanto, que as aquisições -- e não apenas as contratações -- estejam na agenda. Aqui, a experiência de trabalho de Roman no Goldman Sachs e na GLG ajudará: ele conhece diferentes classes de ativos e mercados.

Contudo, não se pode culpar os investidores da Man Group por sentirem que o trabalho de Roman foi feito pela metade. O preço das ações da Man acumula alta de 40 por cento desde que ele assumiu e os ativos sob gestão vêm crescendo. A ação ainda é negociada pouco abaixo de 10 vezes os lucros estimados, nível inferior ao de seus pares, segundo dados da Bloomberg.

A volatilidade do mercado de ações prejudicou as receitas com taxas de performance da Man e levou investidores a se retirarem dos hedge funds. A diversificação melhorou, mas a unidade AHL da Man, que teve um segundo trimestre insípido, ainda responde por quase metade dos ativos que geram lucros baseados em performance.

Com US$ 480 milhões em caixa excedente para gastar em aquisições ou devolver aos acionistas, a Man Group tem algum poder de fogo na manga -- mas parece que não será Roman quem o empregará. Essa tarefa recairá para o seu sucessor, Luke Ellis, o atual presidente da empresa, e para o diretor financeiro, Jonathan Sorrell.

Mas a Pimco pode ser a empresa a se observar agora em um momento em que o Brexit e a volatilidade criam oportunidades para aquisições.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

 

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