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Investidores alavancados do Japão perdem confiança em Abe

Min Jeong Lee e Toshiro Hasegawa

(Bloomberg) -- Os maiores fãs do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe estão perdendo confiança nas políticas econômicas dele, apesar da disparada das bolsas com a expectativa de mais estímulos.

Pessoas físicas do Japão que negociam ativos com dinheiro emprestado reduziram as apostas na alta das bolsas para o menor nível desde março de 2013, pouco antes de o comandante do banco central, Haruhiko Kuroda, ter lançado um programa de compra de títulos sem precedentes que levou o índice acionário Nikkei 225 ao maior ganho anual em quatro décadas. Embora a maioria dos economistas espere que o Banco do Japão intensifique o afrouxamento monetário ao final da reunião de dois dias que termina na sexta-feira, os investidores alavancados especulam que, desta vez, o efeito não será o mesmo.

"As esperanças dos indivíduos no avanço dos preços das ações estão diminuindo", disse Yutaka Miura, analista técnico sênior da Mizuho Securities Co. em Tóquio. "Os índices acionários estão oscilando dentro de um intervalo definido e há cautela em relação a uma valorização. Eles compram no piso do intervalo, mas vendem sempre que chega perto do teto."

A diferença entre os saldos de compra e venda das contas de margem nas bolsas de Tóquio e Nagoya encolheu para 1,54 trilhão de ienes (US$ 14,6 bilhões) em 22 de julho, a menor desde a marca de 1,45 trilhão de ienes atingida em 8 de março de 2013, segundo dados da bolsa de Tóquio.

Os investidores estrangeiros, que foram grandes compradores nos primeiros anos do mandato de Abe, vêm se afastando há algum tempo e se livraram de 5 trilhões de ienes em ações ao longo de 13 semanas consecutivas a partir do início do ano. Os americanos retiraram quase US$ 10 bilhões em 2016 dos dois maiores fundos negociados em bolsa que acompanham o mercado japonês.

A saída dos investidores alavancados coincide com a recuperação do índice Topix após o eleitorado britânico ter votado pela saída da União Europeia. O índice acionário avançou 9,7 por cento entre 25 de junho e a última quarta-feira, após um tombo de 7,3 por cento no dia anterior que foi o maior desde o terremoto e tsunami de 2011. Na quinta-feira, o Topix recuou 1,1 por cento.

O índice acumula queda de 16 por cento em 2016. É o segundo pior desempenho entre 24 mercados desenvolvidos monitorados pela Bloomberg. Boa parte dessa queda ocorreu após o Banco do Japão ter intensificado os estímulos com a introdução de taxas de juros negativas. Os investidores alavancados permanecem céticos. A expectativa de 32 entre 41 analistas é que Kuroda e seu comitê decidam ampliar o programa recorde na reunião que termina em 29 de julho. A publicação Kyodo News afirma que Abe planeja estímulos econômicos de mais de 28 trilhões de ienes (US$ 267 bilhões).

"As expectativas de estímulos adicionais já estão embutidas nas cotações, até certo ponto", disse Miura, da Mizuho. "Não importa se o Banco do Japão afrouxar ou não, as pessoas físicas acham que as bolsas vão cair."

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