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Kuroda leva BOJ a encruzilhada e pressão aumenta

Enda Curran e Toru Fujioka

(Bloomberg) -- Após mais de três anos injetando dinheiro barato que falhou em garantir a meta de inflação, o Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) sinaliza que vai reconsiderar o assunto.

Em vez de adquirir ainda mais títulos soberanos, reduzindo as taxas de juros ou indo mais longe ainda em território desconhecido, o BOJ decepcionou algumas pessoas na sexta-feira quando sua reunião de política monetária terminou com um ajuste apenas modesto.

O presidente do banco central japonês, Haruhiko Kuroda, 71, e seus colegas declararam que era hora de avaliar o impacto de suas políticas, que estimularam de diversas formas fortes críticas de banqueiros, negociantes de títulos, parlamentares e ex-executivos do BOJ. A próxima reunião, em 20 e 21 de setembro, é uma chance de oferecer uma evidência maior de que a estrutura atual deve continuar e mergulhar mais fundo em território desconhecido ou recuar.

Independentemente da decisão, esta não é a posição que um dos presidentes de banco central mais agressivos do mundo gostaria de estar em seu quarto ano no cargo. No início de 2013, ele expressou confiança de que o BOJ tinha o poder de garantir que sua meta de inflação de 2 por cento poderia ser alcançada dentro de cerca de dois anos. Neste ano, em que a adoção surpresa de uma política de taxa de juros negativa acabou saindo pela culatra com o turbilhão de alertas dos bancos comerciais, há uma percepção crescente de que a política monetária está perdendo efetividade.

"Estamos em um ponto de inflexão" para o BOJ, porque o banco central "já não pode presumir que pisando mais fundo no acelerador o carro andará mais rapidamente", disse Stephen Jen, cofundador do hedge fund SLJ Macro Partners e ex-economista do Fundo Monetário Internacional. "Chegou a vez da flecha 2", disse ele, em referência às três flechas do Abenomics -- políticas monetárias, fiscais e de reforma estrutural.

Foi a primeira vez que Kuroda intensificou a flexibilização das políticas sem superar as expectativas dos economistas e do mercado, ressaltando que sua liderança entrou em uma nova fase. Em abril de 2013, ele surpreendeu com a escala de seu programa inicial. Em outubro de 2014, ele dobrou a aposta para os estímulos quando poucos o antecipavam. E em janeiro ele implementou a estratégia de juros negativos que havia rejeitado anteriormente.

Paralelo com antecessor

Outra mudança é que o banco central atuou hoje -- ainda que de forma limitada, com uma expansão em suas aquisições de fundos negociados em bolsa, que não são a principal ferramenta de política monetária -- após uma maior pressão de altos funcionários do governo. Um padrão similar foi visto durante o mandato do antecessor de Kuroda, Masaaki Shirakawa.

De sua parte, Kuroda afirmou, em entrevista coletiva, que continua comprometido com a injeção de mais estímulos se necessário e que não planeja alterar a meta de inflação de 2 por cento, nem o cronograma, apesar dos repetidos atrasos para alcançá-la. Ele disse também que não há limites para sua aquisição de títulos. Ao mesmo tempo, reconheceu que são altos os riscos para a perspectiva de inflação do BOJ. Dados divulgados nesta sexta-feira mostraram que os aumentos de preço continuam longe da meta.

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