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Expectativa de alta de juros nos EUA passa para setembro de 2017

Andrea Wong

(Bloomberg) -- Esqueça setembro, esqueça dezembro. Os investidores do mercado de renda fixa dos EUA agora apostam que o banco central (Federal Reserve) não conseguirá implementar outro aumento de juros até setembro do ano que vem.

No início da semana passada, o mercado sinalizava chance de quase 50 por cento de elevação da taxa básica de juros pelo Fed até o fim deste ano. O otimismo em relação à maior economia do mundo se esvaiu na sexta-feira, quando a primeira prévia para o crescimento econômico no segundo trimestre indicou ritmo anualizado de expansão de 1,2 por cento - menos da metade da projeção mediana apurada em pesquisa da Bloomberg.

Os dados provocaram uma corrida por instrumentos de dívida e a reação dos títulos do Tesouro americano com prazo de 10 anos a um relatório do PIB foi a maior em pelo menos um ano. Já as notas com vencimento em dois anos, o prazo mais sensível às expectativas para a política monetária, tiveram a maior valorização em um mês e interromperam três semanas de perdas.

"O panorama do mercado de progresso potencial foi alterado por um olhar bastante diferente sobre o passado imediato", disse Jim Vogel, estrategista-chefe de juros da FTN Financial em Memphis, no Estado do Tennessee. "A perda de impulso foi significativa."

Ganho semanal

O rendimento da Treasury com prazo de 10 anos caiu 11 pontos-base, ou 0,11 ponto percentual, na semana para 1,45 por cento, se reaproximando da mínima histórica de 1,32 por cento atingida em 6 de julho, segundo dados da Bloomberg Bond Trader.

O rendimento da dívida de dois anos recuou cinco pontos-base no período para 0,66 por cento, após os papéis registrarem na sexta-feira a maior apreciação desde junho.

A probabilidade implícita nas cotações de mercado de alta de juros pelo Fed até o fim de 2016 desabou de 45 por cento no fim da semana anterior para 36 por cento, segundo dados de contratos futuros compilados pela Bloomberg. Só em setembro do ano que vem essa probabilidade passa de 50 por cento. A próxima decisão de política monetária está marcada para 21 de setembro.

As autoridades esperam uma melhora sustentável da economia que justifique outra elevação, após acréscimo a partir de quase zero em dezembro. O Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) deixou a taxa básica inalterada na semana passada e afirmou que "riscos de curto prazo à perspectiva econômica diminuíram", mantendo a promessa de continuar com um ritmo de aperto gradual.

"Alguns dos dados positivos do começo da semana e o comunicado do FOMC fizeram com que as pessoas começassem a ter alguma esperança de que o Fed poderia fazer o aperto já em setembro, mas os dados do PIB devem reverter essa oscilação no sentimento", disse Thomas Simons, economista sênior para aplicações de curtíssimo prazo em Nova York da Jefferies LLC, que é uma das 23 instituições que negociam diretamente com o Fed.

Os dados sobre geração de empregos e atividade industrial de julho, que saem nesta semana, proporcionarão maior entendimento sobre o comportamento atual da economia. A previsão dos analistas é que a criação de empregos tenha se desacelerado em relação a junho, quando houve uma disparada inesperada no nível de emprego.

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