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Análise: Não espere medalha de ouro para essas ações no Rio

Tim Culpan

(Bloomberg) -- Não espere que fabricantes de TVs e telas levem o ouro olímpico para casa.

Se a história servir de parâmetro, as ações das empresas que fornecem painéis e vendem televisores de marca registram perdas durante os anos de realização dos Jogos Olímpicos.

Os destinos das maiores empresas do mercado de TV têm sido divergentes antes da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, que começa nesta semana. Das nove empresas monitoradas pelo Bloomberg Gadfly em operação pelo menos desde a Olimpíada de Pequim, em 2008, quatro estavam em baixa no ano até julho e cinco em alta. Não há razão para pensar que essa tendência continuará.

Apesar de toda a especulação sobre consumidores loucos por esportes esbanjando nos maiores e mais modernos aparelhos para assistir ao espetáculo, aquelas empresas que você pensaria que deveriam tirar mais proveito muitas vezes terminam o ano com uma ressaca olímpica.

Apenas nesta semana, o vice-presidente-executivo da Sony, Ichiro Takagi, disse a jornalistas que prevê um aumento da demanda antes da Olimpíada de Tóquio, que será realizada só em 2020. A Sony disse algo semelhante antes de Pequim 2008, mas ficou decepcionada e viu suas ações terminarem o período de 12 meses em queda de 69 por cento.

A última vez em que as ações da Sony subiram e também superaram o Nikkei 225 em um ano olímpico foi quando um canadense ganhou os 100 metros livres e o vôlei de praia se tornou esporte oficial na edição que alguns chamaram de Jogos Coca-Cola, em 1996, em Atlanta. Seus três piores desempenhos anuais desde então se deram em anos olímpicos, incluindo uma queda de 31 por cento em 2012.

A Samsung, enquanto isso, só subiu e superou o índice Kospi uma vez desde que Moscou foi país-sede, em 1980. Sua única volta olímpica desde então foi em Londres, quatro anos atrás.

A última vez em que a Sharp, a outra empresa de presença antiga no mercado, registrou ganho foi em Seul 1988. Ainda assim, teve desempenho pior que o índice de referência japonês, o que sugere que a Olimpíada não foi de muita ajuda.

Até mesmo as empresas que fornecem painéis brutos têm se saído melhor em anos sem Jogos Olímpicos. A taiwanesa AU Optronics, por exemplo, subiu em 2004, na Olimpíada de Atenas, mas tanto ela quanto a Chi Mei Optoelectronics (depois adquirida pela Innolux) se saíram melhor no ano anterior e quase repetiram esse bom desempenho no período seguinte à competição. A sul-coreana LG Electronics subiu, mas menos que o Kospi, e registrou um crescimento muito mais saudável em 2005.

O que ocorre com quase todas as cidades-sede e a maioria dos atletas vale também para as fabricantes de TV e telas: os Jogos Olímpicos inspiram muitos sonhos, mas deixam perdedores pelo caminho.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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