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Dilema de empresas chinesas: US$ 1 tri em caixa e medo de gastar

Kana Nishizawa

(Bloomberg) -- As empresas da China nunca tiveram tanto dinheiro e tão poucas opções para gastá-lo.

Com escassas oportunidades de investimento em meio à expansão econômica mais fraca do país em 25 anos, as empresas chinesas informaram um salto de 18% em suas reservas de caixa durante o último trimestre, o maior aumento em seis anos.

O saldo de US$ 1,2 trilhão -- que exclui bancos e corretoras -- cresceu mais aceleradamente que o dos EUA, da Europa e do Japão, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

Existem problemas piores do que ter dinheiro demais, mas as reservas sem precedentes das empresas chinesas estão frustrando tanto os responsáveis pela política econômica quanto os investidores.

Como as empresas não têm confiança para investir em projetos novos, as tentativas do governo de estimular o crescimento com injeções de dinheiro no sistema financeiro estão sendo insuficientes. Os acionistas, por sua vez, prefeririam ver dividendos maiores ou recompras de ações em vez de um acúmulo de dinheiro ocioso nos balanços das empresas.

"Na verdade, isso está se tornando um problema cada vez maior", disse Herald van der Linde, chefe de estratégia acionária para a região Ásia-Pacífico do HSBC Holdings em Hong Kong. "O dinheiro está se tornando motivo de debate".

O impulso de acumular em vez de investir é relativamente novo em um país onde as empresas foram recompensadas por assumir riscos em boa parte dos últimos 25 anos. Mas, à medida que o crescimento econômico cai de patamares de dois dígitos para menos de 7% em poucos anos, a mudança de tendência tem sido notável.

O aumento dos investimentos privados chineses em ativos fixos, que superaram 10% no ano passado, desacelerou para 2,8% no período de seis meses terminado em junho, o ritmo mais lento já registrado.

Temor à dívida

Parte desse acúmulo de dinheiro pode significar que os executivos de empresas temem que o refinanciamento de dívida se torne mais difícil à medida que a economia desacelerar. As empresas chinesas enfrentam o recorde de 3 trilhões de yuans (US$ 452 bilhões) em dívida onshore com vencimento no segundo semestre, mostram dados compilados pela Bloomberg.

Se dependesse das autoridades econômicas da China, as empresas estariam colocando o dinheiro para trabalhar. Apesar dos esforços estatais para estimular o crescimento com 9,8 trilhões de yuans de financiamento novo adicionado neste ano, o indicador oficial de manufatura do país continua sinalizando uma contração e o setor de serviços está avançando a um ritmo mais lento que sua média de cinco anos.

O governo foi obrigado a preencher essa lacuna, com as empresas estatais aumentando em mais de 23% o investimento em ativos fixos neste ano até junho em comparação com o mesmo período de 2015.

Se empresas chinesas saudáveis não conseguirem encontrar projetos promissores, elas deveriam devolver dinheiro aos acionistas, de acordo com Ronald Wan, CEO da Partners Capital International em Hong Kong.

"Se virar tendência que as empresas guardem todo o dinheiro e não distribuam para os acionistas, isso vai gerar temores em relação ao apelo das ações continentais", disse Wan. "Consigo entender os motivos por trás disso, mas é claro que os investidores não gostam".

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