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Ouro pode ter obstáculo para alta com aumento de juros do Fed

Ranjeetha Pakiam

(Bloomberg) -- O ouro pode ter encontrado um obstáculo após um início de ano estelar porque o provável trio de aumentos nos juros pelo Federal Reserve até o fim de 2017 não deixa espaço para que o metal avance além do nível próximo ao mais alto em dois anos, segundo a Pictet Wealth Management.

Com a tendência de alta de longo prazo do dólar, o lingote provavelmente não superará o nível de US$ 1.430 a onça e poderá se estabilizar em torno de US$ 1.250 a US$ 1.300, disse Luc Luyet, estrategista de moedas do braço de gestão de patrimônio da Pictet Group, que administrava 401 bilhões de euros (US$ 447 bilhões) em 31 de dezembro. Embora a eleição presidencial dos EUA, em novembro, possa oferecer alguns catalisadores de ganhos, eles serão temporários, disse Luyet, de Genebra, em entrevista.

"Este já é um nível alto para o ouro", disse Luyet, 42, que entrou na Pictet em 2015 e tem quatro anos de experiência cobrindo moedas e metais preciosos. "A economia dos EUA continuará relativamente robusta, podemos esperar um crescimento de 2 por cento em 2017, portanto estimamos que o Fed continuará com o ciclo de aperto".

O lingote subiu 27 por cento neste ano, ajudado pelo ambiente de taxas de juros baixas nos EUA, taxas negativas no Japão e em partes da Europa e pela demanda por refúgio provocada pela decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia. A perspectiva de Luyet reflete o temor de que possivelmente não exista muito mais espaço para ganhos. Michael McCarthy, estrategista-chefe de mercado da CMC Markets em Sidney, disse nesta semana que os preços poderão cair com a redução dos temores europeus e pelo fato de os EUA estarem mostrando sinais de força.

Aumento dos juros

"Ainda estimamos que os dados vão melhorar no terceiro trimestre e deverão permitir que o Fed eleve as taxas de juros em dezembro", disse Luyet, que tem recomendação neutra para o ouro. "Isso respaldará os juros reais e, portanto, deverá causar reflexos negativos no ouro".

O ouro à vista era negociado a US$ 1.352,41 a onça às 11h em Londres após ganhos trimestrais seguidos no primeiro semestre e alta de 2,2 por cento no mês passado. O metal apresenta queda em relação ao pico de julho, de US$ 1.375,34, que foi o nível mais alto desde março de 2014 após a divulgação de dados melhores do que os esperados sobre o mercado de trabalho dos EUA.

As chances de o Fed promover um aperto em dezembro são de 45 por cento, contra apenas 12 por cento no início de julho, mostram dados futuros de taxas do Fed. Os dados do mercado de trabalho revelados em 5 de agosto levaram Mohamed El-Erian, da Allianz, a dizer que os traders de títulos estavam subestimando a probabilidade de o Fed realizar um aperto já no mês que vem e o Goldman Sachs diz que vê, atualmente, uma chance de 75 por cento de alta até o fim do ano.

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