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Banco do Japão aumenta fatia no mercado de ações do país

Anna Kitanaka, Yuji Nakamura e Toshiro Hasegawa

(Bloomberg) -- A polêmica marcha do Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) rumo ao topo dos rankings de acionistas no terceiro maior mercado de ações do mundo está ganhando velocidade.

O BOJ, que é já é um dos cinco principais proprietários de 81 empresas no índice japonês Nikkei 225 Stock Average, caminha para se tornar o maior acionista em 55 delas até o fim do próximo ano, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg dos ativos do banco central em fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês). No mês passado, o presidente do BOJ, Haruhiko Kuroda, quase dobrou sua meta anual de compras de ETF, intensificando uma campanha inédita para revitalizar a estagnada economia do Japão.

Os otimistas comemoraram o fator positivo das compras do BOJ, mas os detratores afirmam que o banco central está inflando artificialmente o valor das ações e reduzindo as iniciativas que visam a aumentar a eficiência das empresas públicas. Os operadores temem que a presença desproporcional da autoridade monetária faça com que algumas ações se tornem mais difíceis de comprar e vender, um fenômeno que provocou convulsões no mercado de títulos governamentais do Japão neste ano.

"Só no Japão o banco central mostra tanto a cara no mercado acionário", disse Masahiro Ichikawa, estrategista sênior em Tóquio da Sumitomo Mitsui Asset Management, que administra cerca de 12 trilhões de ienes (US$ 118 bilhões). "Os investidores estão se perguntando se isso é realmente certo".

O BOJ não compra ações individuais diretamente, mas ele é o comprador final das participações adquiridas através de ETFs. As estimativas dos ativos subjacentes do banco central podem ser coletadas por meio dos registros do BOJ disponíveis publicamente, dos documentos regulatórios das empresas e das gestoras de ETF, e de estatísticas da Associação de Trusts de Investimento do Japão. As projeções da posição do BOJ nos rankings de acionistas pressupõem que as posições de outros investidores grandes permanecerão estáveis e que a autoridade econômica manterá a composição tradicional de suas compras.

A influência do banco central sobre as ações japonesas já se compara à dos maiores traders, muitas vezes chamados de "baleias" no jargão do setor. O BOJ é o principal acionista da fabricante de pianos Yamaha, segundo estimativas da Bloomberg, após sua fatia ter aumentado para cerca de 5,9 por cento através de ETFs.

Um porta-voz do banco central, que pediu para não ser identificado devido à política do BOJ, disse que as compras de ETF ajudarão as autoridades a atingirem sua meta de inflação de 2 por cento o mais rápido possível. Os preços ao consumidor recuaram 0,4 por cento em junho em relação ao ano anterior, quarto mês consecutivo de declínios.

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