Análise: Recuperação dos EUA não é o que parece

Narayana Kocherlakota

(Bloomberg) -- Os economistas ressaltam frequentemente que os EUA se recuperaram da recessão de 2007 a 2009 com muito mais força do que os demais países. Seria bom se fosse verdade.

É verdade que os EUA se destacam se considerarmos apenas o Produto Interno Bruto. Por exemplo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico assinalou recentemente que o PIB dos EUA ajustado à inflação cresceu mais de 10 por cento desde o fim de 2007 e que as economias da zona do euro e do Japão estagnaram.

No entanto, é importante levar em conta o crescimento populacional. A população americana está crescendo muito mais rapidamente do que as da Europa e do Japão, por isso sua economia deveria quase automaticamente crescer mais rapidamente também. Mas o que realmente importa para os indivíduos é a mudança na produção per capita. Esta é a situação dos EUA, da zona do euro, do Japão e do Reino Unido:

Os EUA ainda estão na frente, mas não por muito. Na zona do euro como um todo, o crescimento acumulado do PIB per capita ajustado pela inflação é apenas 4 pontos percentuais mais baixo que o dos EUA. E dentro da zona do euro, a Alemanha na verdade superou os EUA em 5 pontos percentuais.

Se nos concentrarmos nos empregos, a situação dos EUA parece pior ainda. A faixa da população empregada com 25 a 54 anos ficou cerca de 2,5 pontos percentuais mais baixa em 2015 do que em 2007. Esse déficit é aproximadamente o mesmo observado na zona do euro. No Reino Unido e no Japão, contudo, o índice emprego/população em idade ativa já supera seu nível de 2007 -- em cerca de um e dois pontos percentuais, respectivamente. No Japão, o nível é cerca de cinco pontos percentuais mais elevado do que nos EUA.

Há algumas lições importantes aqui. Uma delas é que se a recuperação dos EUA na verdade não foi tão forte assim, comparativamente, então é difícil afirmar que as medidas de política monetária pouco convencionais do Federal Reserve -- como as aquisições de ativos em grande escala -- foram mais efetivas do que as dos outros bancos centrais. Talvez o Fed devesse ser mais cauteloso em relação à compra de ativos em substituição a ferramentas de política monetária mais convencionais.

Segundo, os EUA claramente podem se esforçar mais para colocar as pessoas de volta para trabalhar. Os dados de empregos em idade ativa sugerem que, de 2007 para cá, o desempenho do país é semelhante ao da zona do euro, região que inclui economias com altos índices de desemprego, como Espanha e Grécia. O resultado não pode ser descrito como algo desejável.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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