Bancos correm para cumprir regras do mercado de swaps

Silla Brush

(Bloomberg) -- Os maiores bancos do mundo estão correndo para cumprir prazos nos EUA e no Japão que terminam no mês que vem, quando bilhões de dólares em novas exigências de garantias começarão a chegar ao mercado de derivativos de balcão.

As instituições estão testando sistemas para troca de garantias, assinando novos documentos e buscando aprovação regulatória para modelos que podem ajudar a diminuir o custo associado à conformidade, segundo advogados, executivos e consultores que assessoram a realização de uma das maiores mudanças em décadas no mercado de swaps.

As regras entrarão em vigor nos EUA e no Japão em 1º de setembro. União Europeia, Cingapura, Hong Kong e Austrália anunciaram atrasos.

As centenas de páginas de restrições são o resultado de anos de deliberação de órgãos reguladores de todo o mundo após a crise financeira, quando o risco se formou diretamente entre os traders.

Os órgãos reguladores globais estimam que as regras podem acabar exigindo mais de 700 bilhões de euros (US$ 790 bilhões) em dinheiro, títulos soberanos e outras formas de garantia para proteger contra a ameaça de que o calote de um investidor espalhe o risco para os outros e, potencialmente, para todo o sistema financeiro.

"Esta situação está no horizonte há algum tempo, mas o cronograma sempre foi desafiador e será assim até o último momento", disse Deepak Sitlani, sócio do escritório de advocacia Linklaters, em Londres.

Prazo global

Dos EUA ao Japão, as divisões dos bancos que lidam com swaps, incluindo JPMorgan, Morgan Stanley e Citigroup, terão que começar a cumprir as exigências em 1º de setembro.

Na Europa, os órgãos reguladores avisaram que não poderiam cumprir o prazo global do mês que vem e pretendem colocar as regras em vigor no início do ano que vem, o que pode causar fraturas no mercado.

Os órgãos reguladores de Cingapura e da Austrália afirmaram em comunicados, nesta segunda-feira, que levarão mais tempo para impor as exigências.

Cingapura informou que a decisão ajudaria a evitar imprevistos nos mercados financeiros e que leva em conta problemas de coordenação entre países e o nível de preparação do setor.

Hong Kong também decidiu adiar "devido a ocorrências recentes em outras jurisdições importantes", afirmou um porta-voz por e-mail. Nenhuma das três jurisdições estabeleceu novos prazos.

O Banco de Compensações Internacionais calculou o tamanho do mercado de derivativos de balcão em US$ 493 trilhões no final do ano passado.

Os órgãos reguladores dos EUA informaram que as instituições acabariam precisando de cerca de US$ 315 bilhões em margem inicial para cumprir as exigências. Compradores e vendedores de swaps no mercado da UE podem precisar de pelo menos 200 bilhões de euros, informaram órgãos reguladores do bloco neste ano.

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