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Dados econômicos dos EUA apagam efeitos da crise financeira

Lorcan Roche Kelly

(Bloomberg) -- Quem se lembra de 2007?

A economia dos EUA prosperava. A engenharia financeira tinha dado segurança aos ativos de risco. Comprar e manter tinha se tornado a única estratégia de sucesso.

Então 2008 chegou e os investidores descobriram que movimentar riscos empacotando-os em ativos com nota de crédito AAA não fazia com que eles desaparecessem. Lições duras foram aprendidas da pior maneira.

De lá para cá, a economia dos EUA voltou ao ponto inicial, e os dados sobre as vendas de casas novas, publicados na terça-feira, são apenas os últimos de uma série de dados que voltaram aos patamares em que estavam antes da crise.

É importante observar que não só o número de vendas voltou aos níveis de antes da crise - deveríamos dizer "bolha"? --, o preço das casas também retornou.

O setor de moradia não é o único: o retorno dos EUA a 2007 é um fenômeno econômico mais amplo, e o desemprego voltou a cair para níveis próximos do pleno emprego.

Até mesmo o mercado de títulos está precificando um risco de duration em níveis não vistos desde 2007. O diferencial de rendimentos entre as notas com vencimento em 2 anos e 10 anos caiu para 80 pontos-base.

E as ações estão batendo recordes de alta.

Faltam apenas dois ingredientes da receita para que este seja um retorno absoluto aos velhos tempos (bons ou ruins). Em primeiro lugar, a inflação -- ou melhor, a falta dela.

Em segundo lugar, e talvez ainda mais importante, o risco. Em 2007, ele só parecia ter desaparecido. Em 2016, ou ele desapareceu ou está se escondendo em algum lugar onde os investidores ainda não procuraram.

A única coisa que parece certa é que, com ou sem níveis elevados de risco, os investidores parecem estar precificando os ativos como se os riscos tivessem desaparecido. E isso, como 2007 demonstrou, pode ser uma perspectiva arriscada em si mesma.

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