Análise: O impeachment está totalmente precificado?

Josué Leonel e Marisa Castellani

(Bloomberg) -- O mercado chega à reta final do impeachment apostando no afastamento de Dilma Rousseff, mas sem um consenso sobre o potencial de ganho adicional para os ativos brasileiros. Afinal, o real já se valorizou 22% este ano e o Ibovespa avançou 64% em dólar, ambos com o melhor desempenho global em suas respectivas classes de ativos, em boa parte antecipando um desfecho da crise política.

O "ponto final nesta novela", segundo um dos analistas consultado pela agência de notícias Bloomberg, deve trazer alívio e pode gerar reações adicionais. Outros consideram que um rali adicional depende de o impeachment ser aprovado com um placar mais folgado do que o previsto.

Há ainda aqueles que consideram a saída de Dilma já precificada. Uma reação do mercado dependeria da capacidade de o presidente interino, Michel Temer, sem a "desculpa" da interinidade, pisar no acelerador das reformas e privatizações. Veja a seguir a avaliação dos especialistas.

Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Crédit Agricole Indosuez Brasil

"A princípio, o impeachment já deveria estar precificado, mas não se deve descartar algum efeito nos mercados. Tem espaço para todos os ativos brasileiros". O placar do impeachment deve ter pouca importância para o mercado. "O importante vai ser por um ponto final nesta novela."

Georgette Boele, estrategista do ABN Amro Bank

 "Enquanto o impeachment tem sido largamente antecipado, seu impacto tem sido positivo para os ativos brasileiros. Expectativas com o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) agora estão em primeiro plano. O foco está no Fed"

Nathan Blanche, sócio-diretor da Tendências Consultoria

"A melhora adicional e o novo avanço na precificação dos ativos como prêmio de risco, câmbio, Bolsa etc. vão depender das propostas e medidas do governo Temer após a saída definitiva de Dilma, principalmente no âmbito fiscal. O Brasil não tem poupança interna para crescer".

Uma alta dos juros do Fed só terá efeito no dólar se for uma elevação forte, mas a tendência é que seja um aumento gradual

Markus Casal, operador da Ativa Corretora

"Acredito que pode haver alguma euforia, mas pequena. O impeachment está bastante precificado. O que vai definir o rumo do dólar localmente é a força do Temer em aprovar as reformas e externamente os juros do Fed"

Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos

"Depois do impeachment, além de alguma possível reação do mercado por conta do placar da votação, o mais relevante é que se perde a 'desculpa' que o governo Temer até então tinha: 'uma agenda mais firme, mais urgente, não pode ser emplacada por um governo interino'. Este é outro aspecto relevante, e disputas políticas em Brasília, após o impeachment, terão mais impactos nos mercados, a depender de que lado 'ganhou' ou 'perdeu"'

Flávio Serrano, economista-sênior do banco Haitong

"O impeachment deve passar com folga, Temer já mostrou que tem margem ampla no Senado. Já há cobrança do mercado por medidas de ajuste fiscal. À medida que o tempo passa, a cobrança aumenta"

--Com a colaboração de Paula Sambo e Patricia Lara 

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