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Dilma fora deixa ainda mais complicado investir no Brasil

Paula Sambo, Aline Oyamada e Denyse Godoy

(Bloomberg) -- Nos últimos meses, investir no Brasil tem sido moleza: qualquer ativo comprado no país entregou alguns dos maiores ganhos do mundo, com a expectativa de que Dilma Rousseff fosse afastada definitivamente da presidência e que o novo governo retomará o crescimento e reduzirá o déficit fiscal em níveis recordes. 

Com o impeachment definitivo de Dilma aprovado no Senado por 61 votos a favor e 20 contrários, escolher ações e títulos no país deve se tornar uma tarefa mais difícil.

A seguir, a opinião de alguns dos principais analistas e investidores para o desempenho dos ativos brasileiros.

Títulos corporativos

A S&P Global Ratings alertou que a euforia com o processo de impeachment vinha escondendo riscos nos títulos corporativos brasileiros. Patrik Kauffmann, gestor de recursos da Solitaire Aquila, que administra US$ 11 bilhões em ativos, diz que ainda há espaço a investidores seletivos para mais ganhos no mercado de títulos corporativos brasileiros. Kauffmann está otimista com títulos de estatais como a Petrobras. As notas da petroleira no exterior deram retorno de 34 por cento este ano com apostas de melhora com menor interferência do governo. Segundo ele, Eletrobras e Banco do Brasil devem continuar o rali. Kauffmann aconselha evitar notas de exportadores como Embraer, Vale e BRF, que já estão sendo negociadas em linha com seus pares globais.

Ações

O índice Bovespa subiu 63 por cento este ano em dólar, maior alta entre mais de 90 índices monitorados pela Bloomberg. Enquanto os maiores ganhadores deste ano foram os produtores de commodities, algumas das melhores apostas são empresas que dependem da demanda doméstica. 

Florian Bartunek, fundador da Constellation Investimentos e Participações, diz que a performance acima da média do Ibovespa continuará, com a recuperação do Brasil colaborando para resultados corporativos positivos. 

James Gulbrandsen, chefe de investimentos para América Latina na NCH Capital, dá preferência a empresas com valor de mercado abaixo de US$ 1 bilhão, acreditando que elas têm mais espaço para subir na bolsa do que grandes corporações que já registraram alguns dos principais avanços neste ano.

Real

Arnaud Masset, analista do Swissquote Bank, diz que o real não deve apreciar muito mais a partir de agora e, após alta de 22 por cento em 2016, está vulnerável a perdas ligadas à piora da economia global. "Podemos ver um rali depois do impeachment, mas será curto", diz ele.

O real terá depreciação de 4,5 por cento até o final de dezembro para R$ 3,40, de acordo com estimativa mediana de estrategistas pesquisados pela Bloomberg.

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