Craque em paridade de risco discorda da tática de Wall Street

Dani Burger

(Bloomberg) -- É raro atualmente um movimento de queda de ativos que não seja atribuído ao alcance crescente de uma estratégia conhecida como paridade de risco.

No entanto, para o profissional de investimento quantitativo que ajudou a desenvolver o conceito, o problema é a presença da paridade de risco ser pequena, não grande. De seu escritório próximo ao Porto de Boston, Edward Qian, 52 anos, da PanAgora Asset Management, vem tentando provar durante toda a sua vida que a estratégia -- mais comumente associada à Bridgewater Associates, de Ray Dalio - não é somente uma ferramenta para distribuir ações e títulos nos hedge funds. Nem é a força destrutiva que, segundo críticos, pode afundar os mercados. Apontando para três fotografias pequenas de nuvens estelares no canto da mesa, Qian afirma que os princípios da estratégia estão para o investimento como a gravidade está para o universo.

"Paridade de risco é um modo de vida", disse o chinês nascido em Hai'na, que aprendeu inglês assistindo séries de televisão e agora é responsável pelos investimentos em uma instituição que administra US$ 42 bilhões. "Do todo para o individual, do individual para o todo. Em todo lugar."

Qian conhece risco na pele. Em 1986, com apenas uma mala e US$ 100 no bolso, ele pegou um voo de Pequim para Tallahassee, no Estado da Flórida, para concretizar o sonho de se tornar acadêmico. Era uma época de grandes mudanças na China, que tentava modernizar suas escolas uma década depois que a Revolução Cultural praticamente paralisou o sistema educacional.

"Eu nunca tinha comido salada antes de entrar no avião e perguntei, 'O que é isso? Como se come vegetais frios e crus?", conta Qian. "Eu precisei me adaptar."

Três décadas depois, Qian se encontra na ponta da teoria financeira, com um fundo que não só proporcionou retorno de 20 por cento em 2016, como também esbanja um histórico de longo prazo de causar inveja em Wall Street. A visão dele sobre paridade de risco vai ainda mais longe que a da Bridgewater, que introduziu a receita para divisão de uma carteira de acordo com a volatilidade na década de 1970 e é famosa por promover a ideia. O total investido em paridade de risco é calculado entre US$ 400 bilhões e mais de US$ 1 trilhão, fazendo da estratégia alvo de críticas daqueles que argumentam que a dependência da alavancagem exacerba movimentos de desvalorização de ativos.

A estratégia parte da hipótese de que as carteiras tradicionais são reféns da concentração de ativos arriscados, como ações. A menos que passem por alguma contenção, podem representar todos os ganhos ou perdas do gestor porque a flutuação é grande. Teoricamente, ao introduzir equilíbrio e acrescentar alavancagem, a influência dos ativos mais comportados aumenta e as taxas de retorno se estabilizam.

Não é o suficiente para Qian, que acredita que a ponderação por volatilidade é capaz de estabilizar todas as reentrâncias de uma carteira, incluindo setores componentes de um índice acionário, países componentes de referências internacionais e até os fatores que sustentam os fundos negociados em bolsa (ETFs) de beta inteligente. A paridade de risco nesses termos é o motor dos ganhos da PanAgora neste ano, ele disse.

Divergências sobre como dividir e distribuir os ativos de um fundo parecem banais, mas estão por trás de uma discussão de décadas no mundo das finanças sobre como maximizar taxas de retorno. O debate ficou mais próximo do público americano com os ETFs de beta inteligente, que deixaram de seguir índices baseados em valor de mercado, segundo o entendimento de que isso vincularia a sorte deles a ações de empresas gigantescas que talvez já tivessem visto seus melhores dias.

A paridade de risco, especialmente na visão de Qian, dá um passo além, apostando que não é o tamanho dos componentes de um índice que representa a maior ameaça à estabilidade de uma carteira, mas sim a volatilidade desses componentes. Enquanto Bridgewater e AQR Capital Management usam a estratégia para segregar classes de ativos amplas em grupos de muitos bilhões de dólares, a PanAgora aplica paridade de risco a todos os setores em toda classe de ativos, antes de aplicar alavancagem para impulsionar as taxas de retorno.

"É preciso escolher seu veneno - ativos mais arriscados ou uma cesta mais equilibrada com muita alavancagem", disse Qian. "Existe um fundamento filosófico explicando porque a paridade de risco funciona e porque deve continuar funcionando."

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