Bilionário japonês que não erra aposta em realidade virtual

Yuji Nakamura e Takashi Amano

(Bloomberg) -- Naruatsu Baba, o bilionário de 38 anos fundador da produtora de jogos para dispositivos móveis Colopl, é diferente do típico executivo japonês: não tem nenhuma modéstia em relação ao seu sucesso.

"Profissionalmente, eu nunca cometi nenhum equívoco", disse Baba, em entrevista, em seu escritório em Tóquio, sentado perto de um R2-D2 de tamanho real e de uma camisa de futebol autografada pelo meio-campista japonês Keisuke Honda. "Mesmo em assuntos de menor importância, sempre fiz algo decente, independentemente do prazo ou das circunstâncias. Mas isso provavelmente seja um pré-requisito para uma pessoa que chegou à posição que eu cheguei."

Essas palavras são respaldadas pela avaliação de US$ 1,9 bilhão da empresa na Bolsa de Valores de Tóquio. Baba ainda é dono de metade da Colopl e ele mesmo escreveu a maior parte do código inicial dos jogos, incluindo um em que os jogadores ganhavam pontos caminhando por aí com seu telefone, um precursor do principal recurso do Pokémon Go, a incubadora.

Baba acredita que o sucesso se resume em grande parte à sorte, mas identificar oportunidades quando elas aparecem é uma habilidade que ele afirma ter aperfeiçoado com os anos de experiência. Um de seus primeiros sucessos veio quando ele notou que as operadoras japonesas começaram a introduzir rastreamento de localização para telefones celulares. Quando os smartphones decolaram, ele se concentrou na produção de jogos desenvolvidos para telas sensíveis ao toque.

Agora, Baba está de olho no que é considerado o próximo grande salto da computação: a realidade virtual. Ele já é um dos maiores investidores do Japão na tecnologia por meio de seu Colopl VR Fund, de US$ 50 milhões, que adquiriu participações em cerca de 30 startups neste ano. Sua companhia também é uma das mais ativas desenvolvedoras de RV entre as fabricantes de jogos do Japão e lançou nove títulos nos últimos dois anos.

Baba afirma que o recurso mais significativo da realidade virtual é a capacidade de enganar os usuários para que eles pensem que os demais estão presentes fisicamente. Isso em breve permitirá que os seres humanos se comuniquem de um jeito muito parecido com as conversas cara a cara.

"A tecnologia leva você a pensar que tanto você quanto a outra pessoa estão realmente no mesmo lugar e de uma forma que faz com que você acredite que é de verdade", disse Baba. "Essa provavelmente seja a verdadeira essência da realidade virtual."

Indagado sobre por que a RV tem o potencial de revolucionar a comunicação, Baba pensou por um minuto completo, depois tirou uma foto de um ursinho de pelúcia em seu escritório, a mascote da companhia. Ele diz que uma imagem plana é basicamente o melhor que tecnologias da atualidade como a telepresença em vídeo oferecem, mas a RV pode oferecer a sensação de realmente estar com o brinquedo.

"Simplesmente olhar para a foto não faz com que você acredite que o urso está realmente lá", disse ele. "Mas com a RV é possível fazer isso. Ela faz você pensar que ele está lá."

Título em inglês: Japanese Billionaire Who Can Do No Wrong Sets Sights on VR

Para entrar em contato com os repórteres: Yuji Nakamura em Tóquio, ynakamura56@bloomberg.net, Takashi Amano em Tóquio, tamano6@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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