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Fome ronda capital mais jovem do mundo em guerra há quase 4 anos

Okech Francis

(Bloomberg) -- Enquanto mexe as lentilhas em uma panela fervente, a dona de casa sul-sudanesa Sarah Kiden lembra da época em que seus cinco filhos conseguiam fazer mais de uma refeição por dia.

Pela primeira vez desde que o país mais jovem do mundo conquistou sua independência, em 2011, a fome persegue sua capital, Juba, devido à nova onda de violência e à piora da crise econômica do país.

Como seu marido ganha 200 libras sul-sudanesas (US$ 2,74) por dia vendendo roupas e os preços dos alimentos se multiplicaram por oito nos últimos 12 meses, Kiden, de 32 anos, tem que alimentar sua família com uma panela de ensopado por dia e alguns pedaços de pão. As Nações Unidas estimam que 9 de cada 10 famílias na cidade estão reduzindo o número de refeições.

"Quando costumávamos ter café da manhã, almoço e janta, estava tudo bem", disse Kiden, em entrevista, na choça de um cômodo de sua família, no bairro de Munuki, em Juba. "Agora o dinheiro é insuficiente para comprar tudo isso."

A guerra civil no Sudão do Sul, um país produtor de petróleo, já causou dezenas de milhares de mortes e forçou 3 milhões de pessoas a abandonarem suas casas desde dezembro de 2013, em um dos piores desastres humanitários do mundo.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas informou na semana passada que mais da metade de todas as famílias de Juba não tem acesso a uma quantidade suficiente de alimentos, mais que o dobro do número de 2015. Em todo o país, quase um terço dos cerca de 11 milhões de
habitantes enfrenta escassez severa de alimentos, e os níveis de fome deverão dobrar no ano que vem.

A violência e a queda da produção e do preço global do petróleo, praticamente a única fonte de receita do Sudão do Sul, contribuíram para um declínio econômico que fez a inflação chegar a 835,7% em outubro, a taxa mais alta do mundo. A moeda se depreciou de 18 por dólar em dezembro de 2015 para cerca de 73 atualmente. O aumento do desemprego reduziu os ganhos das famílias e forçou-as a diminuir a compra de alimentos, segundo o PMA.

Violência

A guerra civil começou na capital com conflitos entre combatentes leais a diferentes facções do partido do governo e evoluiu para massacres de caráter étnico. Após uma breve interrupção, um governo de transição formado para tentar acabar com a guerra foi envolvido novamente na turbulência em julho com novos conflitos em Juba entre facções leais ao presidente e ao vice-presidente que deixaram pelo menos 270 mortos.

O governo do Sudão do Sul está trabalhando em iniciativas de combate à fome, ajudando as comunidades empresariais a importar alimentos, trabalhando com organizações humanitárias e aumentando a segurança para incentivar a produção agrícola, disse o vice-ministro da Informação, Akol Paul Kordit, por telefone.

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