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Acordo histórico da Opep não vai eliminar estoques de petróleo

Javier Blas e Angelina Rascouet

(Bloomberg) -- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo provavelmente irá equilibrar o mercado de petróleo até meados do ano que vem, mas parece que seu corte de produção será insuficiente para atingir a meta declarada de eliminar estoques que estão baixando os preços.

O mercado de petróleo vai se equilibrar "por volta do meio do ano que vem", de acordo com o ministro nigeriano do Petróleo, Emmanuel Kachikwu, colocando um ponto final em mais de três anos nos quais a oferta superou a demanda. No entanto, cálculos da Bloomberg News baseados em dados da Opep revelam que em todo o ano de 2017 haverá pouca redução global dos estoques recorde de petróleo -- mesmo se o grupo convencer os países de fora a implementarem limites à oferta em uma reunião no sábado.

"Mesmo com 100 por cento de adesão tanto da Opep quanto de produtores de fora da Opep, é improvável que os estoques mundiais caiam no primeiro semestre de 2017", disse Tamás Varga, analista da corretora PVM Oil Associates em Londres. "Isso deve manter os preços do petróleo sob controle."

Os preços do petróleo poderiam subir para US$ 60 a US$ 70 o barril se a Opep conseguir fazer com que os estoques voltem a um nível normal, disse o ministro venezuelano do Petróleo, Eulogio del Pino, na semana passada, repetindo uma noção amplamente compartilhada dentro do grupo, da Arábia Saudita ao Irã. Os sinais de que isso possa ser atingido são díspares.

O histórico da Opep mostra que o grupo só realiza 80 por cento dos cortes prometidos. Enquanto a Rússia prometeu entrar no jogo e reduzir a produção em 300.000 barris por dia no primeiro semestre de 2017, outros produtores de fora da Opep, como México, Azerbaijão e Colômbia, provavelmente apresentarão declínios de produção involuntários, já computados pelos traders, como cortes. Nesse cenário, o excedente mundial de 300 milhões de barris que está na mira de Del Pino e de seus colegas permaneceria praticamente intacto.

Adesão total

A Opep disse que seu acordo vai acelerar a redução dos estoques globais e um cenário otimista da Bloomberg mostra que a demanda pela oferta do grupo excederá a produção em 1,2 milhão de barris por dia no terceiro trimestre. Isso vai depender da adesão total dos integrantes da Opep e de que a Rússia cumpra sua promessa, mesmo que a contribuição de outros produtores de fora da Opep seja pequena.

A análise do reequilíbrio do mercado realizada pela Bloomberg News se baseia nas estimativas e projeções da própria Opep para a oferta e a demanda de petróleo ajustadas a possíveis cenários de cooperação da Rússia e de outros países de fora do grupo. Outras agências e consultorias têm opiniões diferentes.

A Agência Internacional de Energia projeta que o reequilíbrio acontecerá no começo do ano que vem e consultores da Rystad Energy calculam um déficit de 1,26 milhão de barris por dia no primeiro trimestre do próximo ano se a Rússia for o único país de fora da Opep a participar da iniciativa.

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