Museu de US$ 20 mi mostra o quanto Alemanha gosta de dinheiro

Alessandro Speciale

(Bloomberg) -- A cautela alemã em relação à impressão de cédulas de dinheiro é histórica.

Em 1772, a Saxônia decidiu testar a nova e perigosa invenção do papel-moeda para fazer frente às suas dívidas. Apesar da tentação que teria sido deixar as impressoras trabalharem incessantemente, Frederick Augustus III optou, em vez disso, por aplicar uma "política de emissão medida". Como resultado, seus "Cassenbillets" se tornaram uma forma de pagamento popular durante mais de um século.

A mensagem de moderação monetária pode ser encontrada -- e talvez isso não seja surpresa -- no Bundesbank, onde a instituição que por muito tempo foi guardiã da moeda do país abriu seu Museu do Dinheiro na sexta-feira após uma renovação. A exposição, orientada principalmente a crianças em idade escolar, passou por seis anos de reforma a um custo de 19 milhões de euros (US$ 20 milhões).

Na primeira sala, os visitantes são informados de que o dinheiro da zona do euro "é a moeda legal aceita como pagamento por produtos e para liquidação de dívidas" -- uma mensagem tranquilizadora para as pessoas que têm medo do dinheiro que não podem tocar.

Os visitantes também podem tentar identificar dinheiro falso e tocar uma barra de ouro. Para alertar sobre o impacto da inflação na economia real, uma réplica de supermercado exibe uma prateleira com frascos gradualmente mais vazios para mostrar como 100 euros hoje comprariam cada vez menos produtos ao longo dos anos sob diferentes taxas de crescimento do preço ao consumidor.

Isso faz lembrar dos argumentos dos membros alemães do Conselho Governativo do Banco Central Europeu ao longo dos anos à medida que a política monetária era flexibilizada em meio ao golpe duplo da recessão e do risco de deflação. Contudo, comparado com a encarnação anterior do museu, de 1999 a 2010, essa atitude relativamente hawkish está menos evidente.

O jogo que pedia aos visitantes que ocupassem a cadeira dos banqueiros centrais para controlar a inflação foi retirado da mostra. Nem mesmo as autoridades da época puderam evitar a hiperinflação.

No lugar, os visitantes são convidados a usar uma roda para evitar a queda de uma moeda de euro rolante. A deflação tem seu próprio painel. E é claro que o euro, que substituiu o marco alemão em 2002, é a verdadeira estrela da exposição.

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