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Bancos apostam que 'efeito Trump' acelere M&A na América Latina

Cristiane Lucchesi e Sonali Basak

(Bloomberg) -- Os bancos de investimento acreditam que a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, que tem espalhado volatilidade nas taxas de câmbio, não vai ferir seu crescente negócio de assessoria de fusões e aquisições na América Latina. Pelo contrário.

"Vemos interesse renovado em companhias da América Latina por parte de players estabelecidos em países desenvolvidos de todo o mundo", disse Carlos Medina, diretor da butique de investimento Greenhill & Co. "O enfraquecimento das moedas da América Latina favorece essa tendência."

O dólar se valorizou após a eleição de Trump, com expectativas de que maiores investimentos por parte do governo americano beneficiem o crescimento da economia, tornando os produtos dos EUA mais caros. O peso mexicano perdeu 16 por cento, maior desvalorização entre as moedas de mercados emergentes depois dos 18 por cento da lira turca, segundo dados compilados pela Bloomberg. O peso argentino caiu 6 por cento.

"Se você é um player estratégico em busca de oportunidades de investimento em setores como consumo ou saúde e tem uma visão de longo prazo, o peso mexicano desvalorizado oferece uma boa janela para investir", disse Mario Orozco, diretor da Greenhill.

'Ajustes'

A mudança na relação entre EUA e México no tocante ao setor de manufatura também pode criar oportunidades, disse Medina, e "ajustes nos modelos de negócios das companhias podem exigir aquisições ou desinvestimentos".

Uma onda de reestruturação de dívidas entre as companhias ajudou a ampliar as fusões e aquisições na América Latina em 29 por cento no ano passado, para US$ 160,2 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. No Brasil, a Operação Lava Jato e a pior recessão em décadas deixaram muitas empresas em uma crise de crédito, sem outras formas de captar dinheiro, e os negócios de fusões e aquisições cresceram 11,1 por cento no ano passado no país, para US$ 50,7 bilhões, mostram os dados.

"No Brasil, há empresas precisando de liquidez sendo forçadas a desinvestir, seja por seu envolvimento no escândalo da Lava Jato, seja porque ficaram superalavancadas devido à redução das receitas e às altas taxas de juros", disse Renato Ejnisman, diretor-executivo do Banco Bradesco BBI. Ele citou a investigação contra corrupção na Petrobras.

Oportunidades em infraestrutura

Apesar de o real ter perdido apenas 1,3 por cento de seu valor em relação ao dólar desde a eleição dos EUA, o país está atraindo investidores graças à inflação menor e ao declínio dos juros em meio à retomada do crescimento econômico, disse Flávio Valadão, diretor-executivo e chefe de investment banking do Banco Santander no Brasil. O banco foi o maior assessor de fusões e aquisições no ranking do Brasil e da América Latina em 2016, mostram dados compilados pela Bloomberg.

"Estados, cidades e o governo federal brasileiro, que estão em situação financeira delicada, também tentarão vender ativos para captar dinheiro", disse ele, acrescentando que "vamos ver muitas oportunidades em infraestrutura".

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