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Metade das vinícolas dos EUA poderá ser vendida em cinco anos

Elin McCoy

  • Getty Images

(Bloomberg) -- Quando o bilionário Stan Kroenke, dono da cultuada vinícola Screaming Eagle, em Napa (EUA), e de uma série de times esportivos (como o L.A. Rams), comprou uma participação majoritária em dezembro na emblemática propriedade Bonneau du Martray, em Borgonha, na França, ondas de choque repercutiram em todo o mundo dos vinhos. A histórica propriedade pertenceu à família Le Bault de La Morinière desde a Revolução Francesa. Seu Corton-Charlemagne Grand Cru é um dos melhores vinhos brancos do planeta.

Mas esse foi apenas um dos diversos vinhedos e vinícolas que mudaram de dono no ano passado. Na Califórnia e em Oregon, nos Estados Unidos, mais de 35 foram vendidos.

Prepare-se para 2017: o relatório "Estado da Indústria do Vinho 2017", do Silicon Valley Bank, foi publicado na quarta-feira (18) e projeta mais vendas de terras neste ano.

"Esse fenômeno de vendas não é uma bolha imobiliária", reiterou o autor Rob McMillan, fundador da divisão de vinhos do banco.

O Silicon Valley Bank atende tanto ao setor tecnológico quanto à indústria do vinho; cerca de metade das 350 vinícolas do litoral oeste dos EUA que são seus clientes ficam em Napa. Isso dá ao banco informações exclusivas sobre o que está acontecendo e o que vai acontecer no mundo dos vinhos desse país. O relatório anual de McMillan se transformou no boletim anual do setor. Neste ano, ele analisou as tendências observadas em 2016 e abordou o que esperar em 2017 usando referências divertidas do filme Tubarão.

Sangue na água

"Nos negócios de vinho, a busca é por ativos premium de vinho", observou ele em uma seção dedicada aos terrenos e às fusões e aquisições. Mais compradores querem terrenos de primeira em regiões de prestígio com cada vez menos hectares cultiváveis. Os vendedores das melhores propriedades poderão negociar com dureza porque os preços estarão em alta.

Em uma pesquisa com proprietários de vinícolas dos EUA, por exemplo, McMillan descobriu que 30% deles consideram ou projetam uma venda nos próximos cinco anos; outros 20% disseram que uma venda nesse período é "possível". São muitos terrenos e vinícolas que poderiam entrar no mercado.

Muitas vinícolas boutiques também estão sendo vendidas a companhias de vinho de maior porte para obter apoio financeiro, acesso mais fácil a uvas de primeira e marketing mais potente. Até para as melhores marcas de menor porte ficou cada vez mais difícil colocar suas garrafas nas prateleiras das lojas. Uma das minhas fabricantes de pinot preferidas de Sonoma, a Copain, e duas pioneiras de Oregon, a WillaKenzie e a Penner-Ash, entraram na lista de vinícolas pertencentes à Jackson Family Wines em 2016.

O relatório do banco não cobre a Europa, mas há uma forte onda de vendas no Velho Continente também. Nestes casos, destacam-se os problemas de herança, muitas vezes envolvendo impostos sucessórios sobre terrenos que recentemente se tornaram extremamente valiosos, o que ameaça a capacidade das famílias de conservar propriedades históricas. Os melhores vinhedos em Borgonha atualmente chegam a custar 4 milhões de euros por hectare. O administrador da propriedade Bonneau du Martray, Jean-Charles le Bault de la Morinière, um dos quatro irmãos que detêm uma participação minoritária, disse que a família vendeu para garantir "o futuro da propriedade".

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