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Paul Smith volta a Pitti Uomo para apresentar coleção jovem

Troy Patterson

(Bloomberg) -- Se você trabalha em um escritório onde os homens usam ternos bons, é provável que pelo menos um deles seja fã de Paul Smith.

Essa pessoa se vê como uma espécie de roqueiro, do tipo que concorda em se conformar, mas do modo mais desordeiro possível. Os ternos, as meias e outros acessórios meticulosamente travessos de Paul Smith oferecem a cavalheiros desse tipo formas discretas de fazer barulho. Esses detalhes característicos não são meramente caprichosos, eles têm um brilho sutilmente subversivo. Os pontos finos e vibrantes que se tornaram uma marca registrada dos ternos Paul Smith -- o impactante contraste da costura nas casas de botão, os botões inusitados, os milhares de forros brilhantes e psicodélicos -- dão um ar poético aos dias de trabalho carregados de jargões jurídicos.

Paul Smith, 70 anos, adora explicar que, no começo de sua carreira, ele adotou toques extravagantes como uma técnica de marketing. "Eu queria vender roupas e precisava dar um motivo para que as pessoas comprassem", ele me disse neste mês em Florença, na Itália, na exposição de roupas masculinas Pitti Uomo.

Mas o estilista quer que você saiba que ele não está aqui só para vestir o fashionista rebelde de seu escritório. "Seria incorreto dizer que os ternos chamam muita atenção", disse ele com firmeza. Indicando os diversos ternos simples que ele produz para "a fraternidade bancária" de Londres, ele argumentou que um dos pilares de sua empresa são os itens básicos: ternos que simplesmente são "bem feitos, de boa qualidade, com um corte simples e tecidos interessantes, fáceis de usar".

E ele quer garantir que sua marca continue ampliando sua base, em vez de deixar que seu público se restrinja até caber em uma casa de botão costurada de forma excêntrica. Isso explica seu passeio em Florença, com o objetivo de dar luz à sua linha de difusão juvenil, PS by Paul Smith, e relançá-la com um foco mais apurado no básico.

Smith não exibiu roupas na exposição Pitti Uomo durante 23 anos, mas sentiu que o evento que se dedica à moda masculina há 45 anos seria a vitrine adequada para apresentar sua nova coleção, que traduz tanto suas construções clássicas e suas peculiaridades charmosas a termos com que a geração Y pode se identificar. Em Florença, contornando as convenções rígidas de um desfile na passarela, Smith preparou uma performance atlética de dança moderna. (Sim, é algo já visto, mas as roupas são divertidas, então Smith quis que o evento também fosse divertido, disse ele. "A imprensa assiste a tantos desfiles tradicionais que chega a ser entorpecente.")

Em um espaço nu acentuado por luzes rosa-choque, os não-modelos usaram roupas com linhas limpas que fizeram o pragmatismo parecer um prazer absoluto. Havia calças para viajar, um terno feito para quem vai ao trabalho de bicicleta, um casaco de chuva refletivo e, como sempre, um ar geral de exuberância.

Ninguém usa um terno Paul Smith melhor que o próprio Paul Smith -- um elogio que não pode ser feito a todos os estilistas. Quando admirei isso, ele disse: "Meu trabalho é usar coisas que reflitam minha personalidade".

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