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Fazendeiros usam máquinas no lugar de imigrantes ilegais nos EUA

Alan Bjerga e Mario Parker

(Bloomberg) -- Aparelhos robóticos como colheitadeiras de alface e removedoras de folhas de parreiras substituíram tantas mãos humanas nas fazendas dos EUA nos últimos anos que muitos empregos atualmente ocupados por trabalhadores ilegais poderão deixar de existir quando Donald Trump construir o muro que prometeu.

Para muitos fazendeiros dos EUA, o impulso pela automação não está relacionado apenas à meta do presidente eleito de fechar a fronteira com o México, tradicional fonte de mão de obra barata imigrante para o país que é o maior exportador agrícola do mundo. A questão é que simplesmente não há pessoas suficientes para a colheita em um momento de queda da imigração, aumento das deportações e perspectivas aparentemente remotas de reforma parlamentar.

Foi isso que levou Steve Tennnes, produtor de frutas e vegetais de Charlotte, Michigan, a comprar uma máquina de US$ 138.000 capaz de colher até três vezes mais maçãs por hora do que os trabalhadores, que atualmente utilizam escadas e baldes, e de forma mais segura. Ele conseguirá colher mais com menos trabalhadores e os benefícios aumentarão quando ele replantar seu pomar, na próxima década, para facilitar a operação da máquina por entre as árvores.

"A questão não é querer uma máquina ou querer trabalhadores", disse Tennes, 39, por telefone, de sua fazenda de 48 hectares, onde emprega 72 trabalhadores e produz maçã, pêssego, mirtilo, cereja, abóbora e milho verde. "É querer estar ou não no negócio."

Após três anos de quedas nos salários agrícolas nos EUA, as fontes de mão de obra estão se tornando cada vez menos confiáveis e mais caras, especialmente porque a imigração ilegal provavelmente será reprimida pelo governo Trump. Isso está forçando mais produtores a investirem em máquinas que reduzem o envolvimento humano no ciclo de produção.

Mais de 300.000 trabalhadores agrícolas dos EUA não possuem documentos de imigração válidos, segundo uma pesquisa de 2009 do Pew Hispanic Center. Outros estudos sugerem que o número pode ser de mais de 1 milhão, com base na sazonalidade do trabalho e nas tendências históricas. O volume seria uma fatia considerável dos mais de 2,6 milhões de empregos que o Departamento da Agricultura dos EUA estimou para as fazendas domésticas no ano passado.

Menos trabalhadores

Mas a oferta de trabalhadores imigrantes vem diminuindo. Segundo pesquisa do Departamento do Trabalho dos EUA, em 1998 cerca de 22 por cento dos trabalhadores agrícolas estrangeiros estavam nos EUA pela primeira vez. Em 2013, o número havia caído para 2 por cento. Um número menor está chegando ilegalmente e os que chegam não querem trabalhos agrícolas, disse Craig Regelbrugge, copresidente da Coalizão Agrícola para Reforma da Imigração, um grupo de empregados com sede em Washington.

As consequências são possivelmente sombrias para o país e poderão gerar preços mais altos para alguns alimentos, segundo estudo de 2014 da Federação Agrícola Americana. Uma política migratória focada no fechamento da fronteira mudaria até 61 por cento da produção de frutas para outros países, enviando empregos para o México e para outros concorrentes próximos, segundo o maior grupo agrícola dos EUA.

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